WSJ: "Primeiro milagre do Papa foi o NYT ter dedicado espaço a nova encíclica"

A encíclica 'Laudato Si' do Papa Francisco, publicada na quinta-feira passada, teve grande repercussão na imprensa internacional. O jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, comenta algumas repercussões, começando por um artigo intitulado "A primeira vez no New York Times" que cita um comentário publicado no Wall Street Journal em 24 de junho.

O artigo de William McGurn, define como o primeiro milagre do papa Francisco, o fato de que o New York Times tenha dedicado não somente espaço ao tema, mas tenha julgado "valioso" o ensinamento do Santo Padre.

Talvez nenhum pontífice anterior, escreve McGurn, tenha tido êxito nesta empresa. Durante vários anos, destaca o jornalista, "The New York Times" fez a guerra com vários papas sobre questões morais como o matrimônio ou o valor do nascituro.

Mas quando se trata de mudanças climáticas, o jornal New York - que gosta de considerar-se um jornal que segue rigorosamente os fatos - reconhece preto no branco a autoridade que tem a encíclica do Papa. Na verdade, diz McGurn, o jornal, tecendo elogios, acrescenta o advérbio "inesperadamente", como para mitigar o louvor.

E embora tenham se alegrado do Papa dar o aval à ideia da mudança climática causada pelo homem, não prestaram a devida atenção à crítica do Papa contra um "ecologismo" que protege as espécies em perigo de extinção, mas não as crianças por nascer.

A encíclica - escreve Lluís Bassets em "El País" do último dia 21 de junho, em um longo comentário intitulado "O Papa como contra poder ganhou efeitos políticos imediatos e a repercussão foi muito além do mundo católico", o que demonstra um crescente prestígio e autoridade. Há capítulos interessantes para os cristãos e outros que chamam a atenção mais para aqueles que não se identificam com nenhuma fé, continua Bassets, salientando, porém, que a religiosidade do Papa Francisco é o oposto das técnicas de auto-ajuda ou de equilíbrio interior, tão de moda na nossa época, tanto no mundo cristão quanto no islâmico.

Perante a pobreza, a ameaça ambiental ou os danos da idolatria do mercado sem freios e sem regras, sua denúncia tão forte recorda as duras posturas de Wojtyla diante dos efeitos devastadores que os regimes totalitários do século XX causavam na sociedade, conclui o jornalista.

Proteger a casa comum não tem futuro se os homens continuam a ser tratados como mercadoria e o abismo entre norte e sul do mundo não diminui, lemos no "Le Monde" do 23 de Junho. "Esta mensagem poderia ser o primeiro ato de uma chamada a uma nova civilização", continua o colunista, citando Edgar Morin do "la Croix"; e esta encíclica terá o efeito de "ancorar o papado no século XXI".