Eleições ganham caráter de referendo sobre Renzi

No próximo domingo (31), milhões de italianos vão às urnas para eleger os prefeitos de 1.089 cidades e de sete regiões, em um pleito que está sendo visto como uma espécie de referendo sobre o governo do primeiro-ministro Matteo Renzi, principalmente pelos seus adversários.    

No poder desde fevereiro de 2014, o ex-chefe municipal de Florença chegou ao Palácio Chigi por meio de manobras de bastidores e sem passar pela chancela popular, o que faz com que sua legitimidade seja frequentemente questionada por oposicionistas.    

Tais críticas diminuíram em maio do ano passado, quando a sua legenda, o Partido Democrático (PD), obteve 41% dos votos no pleito para o Parlamento Europeu na Itália, número que a centro-esquerda do país não alcançava há mais de 50 anos. O resultado confirmou a sigla como a mais popular da União Europeia.    

No entanto, com a aproximação das eleições locais, elas voltaram a ganhar força, em meio a um contexto de crescente tensão com a oposição no Congresso. Ao todo, sete regiões (entes semelhantes aos estados brasileiros) escolherão seus governadores no domingo, e o placar já tem sido usado como arma política, antes mesmo dos primeiros votos serem depositados nas urnas.    "Se terminar 4 a 3, sem dúvidas haverá consequências políticas.    

Renzi ostentava segurança, agora o vejo cada vez mais preocupado. A Úmbria e a Ligúria, regiões historicamente de esquerda, podem mudar de cor", declarou o senador cassado Silvio Berlusconi, que, apesar de enfraquecido, continua liderando com mão de ferro o conservador Forza Italia (FI).    

Ele ainda relembrou o caso de Massimo D'Alema, que renunciou ao cargo de primeiro-ministro em 2000 após derrotas de seu partido nas eleições regionais daquele ano. "Os prognósticos de Renzi estão cada vez mais prudentes, antes era 6 a 1, agora é 4 a 3. Pode acontecer a mesma coisa que ocorreu em 2000", acrescentou.    

Das sete regiões que vão às urnas, o PD é franco favorito para vencer em quatro: Toscana, Marcas, Púglia e Úmbria, sendo que nas três primeiras a vitória da centro-esquerda é dada como certa. No Vêneto, o candidato do partido de extrema-direita Liga Norte, Luca Zaia - também apoiado pelo FI -, deve sair vitorioso.    

Restam Campânia e Ligúria, onde a disputa está mais apertada. Na primeira, o nome do PD, Vincenzo De Luca, já foi condenado em primeira instância por abuso de poder. Se a sentença se tornar definitiva, ele poderia ser cassado. No entanto, De Luca segue liderando as pesquisas, mas por uma margem estreita.    

Na segunda, tradicionalmente vermelha, uma parcela do Partido Democrático e outras legendas de esquerda estão ao lado de Luca Pastorino, e não da candidata de Renzi, Raffaella Paita, uma divisão que pode beneficiar a centro-direita, representada pelo berlusconiano Giovanni Toti (FI).