Irlanda decidirá sobre casamento gay através de plebiscito

Essa é a primeira vez no mundo que medida é decidida dessa forma

Através de um plebiscito, os irlandeses decidirão nesta sexta-feira (22) se o casamento gay será permitido no país. Mais de 3,2 milhões de cidadãos poderão dar sua opinião sobre o tema, em uma maneira inédita de decidir sobre o assunto no mundo. Se aprovado, a Irlanda será a primeira nação a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo dessa maneira. Além dessa medida, os moradores do país irão dar sua opinião se será permitida a redução de idade para um presidente da República, de 35 para 21 anos.

A nação, que é extremamente católica, está dividida sobre o tema. Porém, os debates pró e contra a medida se focaram muito mais nas questões dos direitos civis do que em argumentos religiosos. Isso porque a Igreja Católica local se manteve longe do assunto e não expressou, oficialmente, sua posição. A questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo é aceita em mais de 20 países no mundo, sendo 13 na Europa. Com o plebiscito de hoje, a Irlanda sairá do time das nações europeias que não tem nenhuma legislação sobre o tema: Itália, Grécia, Chipre, Lituânia, Letônia, Polônia, Eslováquia, Bulgária e Romênia.

A Dinamarca foi o primeiro país do mundo a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 1989. Em junho de 2012, o país liberou que os casais fizessem uma cerimônia religiosa na Igreja Luterana dinamarquesa.

A Holanda aprovou a lei de matrimônio civil para homossexuais em 2001. No país, casais gays têm os mesmo direitos que os héteros, incluindo a adoção. Na Bélgica, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido desde 2003 e a adoção desde 2006. Já na Espanha, homossexuais podem se casar desde 2005, mas não podem adotar filhos.

A Noruega permite, desde 2009, que casais homossexuais casem, adotem crianças ou façam a fertilização assistida. Na Suécia, o casamento gay foi aprovado seis anos após ter sido liberada a adoção por casais do mesmo sexo, fato que ocorreu em 2003.

Em Portugal, uma lei aboliu a referência "sexos diferentes" da definição do matrimônio em 2010, mas está excluída a possibilidade de adoção. A Islândia permitiu a adoção em 2006 e o casamento civil em 2010. A França aprovou a legislação há dois anos, após duros protestos de organizações que defendem a "família tradicional". Em 28 de novembro de 2014, o Parlamento da Finlândia disse sim à lei que regula o casamento homossexual, incluindo as adoções. As uniões civis e adoções por parte de um dos membros do casal já eram permitidas desde 2002.

A Grã-Bretanha aprovou sua legislação sobre o tema em julho de 2013, enquanto Luxemburgo viu essa lei entrar em vigor no início desse ano. A Eslovênia equiparou casamentos entre heterossexuais e homossexuais há três meses.

Fora da Europa, o Canadá aprovou o casamento gay em julho de 2005, enquanto nos Estados Unidos a união entre pessoas do mesmo sexo é permitida em 37 estados e no distrito de Columbia, onde está a capital Washington. O México libera o casamento em apenas cinco estados.

A Argentina foi o primeiro país sul-americano a aprovar essa lei, em 15 de julho de 2010, autorizando o casamento e a adoção.

O Uruguai veio na sequência, com a aprovação da medida em 11 de abril de 2013.

O Brasil foi o terceiro e aprovou o matrimônio homossexual em maio de 2013, sendo que as uniões civis eram permitidas desde 1999. Casais gays também podem adotar filhos. A África do Sul foi o primeiro país de seu continente a aprovar os "matrimônios ou união civil" entre pessoas do mesmo sexo. Lá também é permitida a adoção de crianças.