Correa afirma que contaminação da Chevron no Equador foi deliberada

Presidente equatoriano diz que empresa cometeu crime na região amazônica do país

O presidente do Equador Rafael Correa afirmou nesta quinta-feira (21/05) que a contaminação ambiental provocada pela petroleira norte-americana Chevron na Amazônia equatoriana, onde sua filial Texaco operou entre 1964 e 1995, foi um crime deliberado. É o que diz um artigo da agência Prensa Latina.

O desastre causado na selva equatoriana é pior do que o da Exxon Valdez no Alasca, ou da BP (British Petroleum) no Golfo do México. A maior diferença é que estes foram acidentes, o da Chevron foi deliberado. É um crime”, declarou o mandatário em sua conta do Twitter.

Correa recorreu a essa rede social na ocasião da celebração na quinta-feira do Dia Internacional Anti-Chevron, uma jornada que foi instituída no ano passado pelas dezenas de milhares de pessoas que foram afetadas em todo o mundo pelas práticas extrativas erradas da multinacional norte-americana.

O chefe de Estado, que em setembro de 2013 iniciou uma campanha para denunciar a contaminação que a Texaco deixou na Amazônia, instou a todos os que duvidam das denúncias contra a companhia a vir ao Equador para comprová-lo pessoalmente.

"Se alguém tem dúvidas, que venha ao Equador para colocar sua mão nas piscinas deixadas pela Chevron. 25 anos depois essa mão sairá negra de petróleo, é a mão suja da Chevron", afirmou.

Segundo Correa, que acusou a petroleira de corrupta e corruptora, nem todos os milhões investidos pela empresa para evitar a sentença de um tribunal equatoriano que em 2011 a condenou a pagar 9,5 milhões de dólares a 30 mil moradores "poderão ocultar a verdade".

De acordo com dados oficiais, durante os quase 30 anos que operou na região, a multinacional derramou 16,8 milhões de galões de petróleo no ecossistema, verteu outros 18,5 bilhões de galões de águas tóxicas nos solos e rios, e queimou ao ar 235 bilhões de pés cúbicos de gás.

A Chevron, no entanto, se nega a acatar a decisão da justiça equatoriana, e argumenta que essa sentencia se obteve por meios fraudulentos.

A petroleira também pediu ao Estado equatoriano diante de uma corte internacional de arbitragem por suposta violação de um Tratado Bilateral de Proteção aos Investimentos assinado por Washington e Quito, e por suposta recusa da Justiça.

A Secretaria de Comunicação do governo do Equador também emitiu um comunicado em que afirma que a atividade petroleira que a Texaco desenvolveu na Amazônia teve efeitos letais em cerca de dois milhões de hectares de solo, vegetação, rios e estuários.

Depois de assegurar que essa afetação ainda segue prejudicando aos equatorianos, a entidade oficial acrescenta que foram afetados 13 tipos de ecossistemas amazônicos e cerca de duas mil espécies de fauna, de vertebrados aquáticos e terrestres, além de habitantes originários e colonos de uma superfície vizinha a dois milhões de hectares que, de forma direta ou indireta, receberam o impacto.

O porta-voz da Chevron, James Craig, respondeu em outro comunicado que tais acusações são manobras patrocinadas pelo Estado e pagas pelo governo do Equador, em uma tentativa, disse, de pressionar a empresa.