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'El País': Cuba e EUA apostam na discrição em seu terceiro encontro

Sábado partiu de Nova Orleans o primeiro vôo à ilha sem escalas desde 1958

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O jornal espanhol El País publicou nesta terça-feira (17/03) um artigo sobre a aproximação de Cuba e Estados Unidos estão apostando na discrição para o terceiro encontro em menos de dois meses, depois do anúncio dos presidentes Barack Obama e Raúl Castro de que iniciariam o degelo das relações entre ambos países. “A reunião em Havana foi anunciada com apenas um par de dias de antecedência. As delegações estão encabeçadas, uma vez mais, pela secretária de Estado adjunta para América Latina, Roberta Jacobson, e Josefina Vidal, a máxima responsável do Ministério de Relações Exteriores cubano para assuntos dos EUA”, escreve a jornalista Silvia Ayuso.

“Pouco mais foi revelado. E pouco mais se esperava que transcendesse de um encontro que se qualificou como de "continuação" para seguir discutindo os detalhes que permitam reabrir as respectivas embaixadas, a ser possível em abril, para fazer coincidir o histórico gesto com a Cúpula das Américas no Panamá, onde Obama e Castro vão se encontrar”, prossegue ela.

“Apesar de que até este momento as duas partes qualificaram de "positivos" os encontros, a grande dúvida da nova reunião é como influi o fator de Venezuela, depois da decisão de Obama, há uma semana, de declarar uma "emergência nacional" em relação ao país sul-americano, além de impor sanções contra sete funcionários do governo de Nicolás Maduro.

O fato de que se mantenha a reunião apesar da proximidade de Caracas com Havana é indicativo da vontade das duas partes em continuar negociações que pretendem reverter mais de meio século de tensões através do Estreito da Flórida.

Pese a que fontes do Departamento de Estado asseguraram em vésperas do encontro que a Venezuela "não vai ter um impacto nas conversações" com a ilha, las suspeitas persistem, e Cuba se encarregou de deixar claro seu descontentamento com o que considera um passo "arbitrário e agressivo" de Washington: a chegada de Jacobson a Havana no domingo coincidiu com um grande concerto na escadaria da Universidade da Havana organizado para demonstrar o "apoio incondicional à Venezuela diante das agressões dos EUA", segundo o jornal oficial Juventud Rebelde.

Um dia antes, no sábado, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, chegava em Caracas para "expressar infinita, completa e absoluta solidariedade da Revolução Cubana com a Revolução Bolivariana".

Retórica a parte, o contato entre Washington e Havana tem sido constante desde a última reunião de negociação na capital norte-americana no dia 27 de fevereiro. No início de março houve uma reunião em Washington para tratar da questão da aviação civil e outra sobre tráfego humano. Na próxima semana o coordenador de Comunicações Internacionais do Departamento de Estado, Danny Sepúlveda, viajará à capital cubana para continuar falando de telecomunicações. No final do mês ocorre também o tão esperado encontro sobre direitos humanos, tema que Washington tem priorizado e que Havana aceitou tratar, ainda que pretenda apresentar sua própria visão do assunto.

"Além de palavras, foram produzidos gestos. Una empresa norte-americana pôs em marcha este mês a primeira conexão telefônica direta com a ilha em mais de meio século. No sábado partiu de Nova Orleans o primeiro vôo a Havana sem escalas desde 1958, fruto da flexibilização de restrições decretada por Obama em janeiro. A capital cubana, além disso, conta com seu primeiro espaço de wi-fi. A iniciativa é privada — o oferece, e paga, em seu centro o artista Kcho — e a conexão é lenta. Mas o mero fato de que o artista tenha recebido o visto bom oficial para instalar una conexão aberta de Internet é um grande passo em um país a quem constantemente seu férreo controle sobre o acesso à rede foi censurado", conclui o artigo do El País

>> Cuba y EE UU apuestan por la discreción en su tercer encuentro