Renzi recebe Berlusconi para debater escolha de novo presidente da Itália

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, recebeu nesta quarta-feira (28) o ex-premier Silvio Berlusconi para um almoço de cerca de duas horas no palácio Chigi, sede do governo. A reunião teve como objetivo discutir sobre os possíveis candidatos à Presidência da República.    

Ao lado do líder do conservador Forza Italia (FI), estavam seus aliados Gianni Letta e Denis Verdini. Pouco antes, Renzi já havia tido encontros com os ministros do Interior, Angelino Alfano, e dos Transportes, Maurizio Lupi - ambos expoentes do Nova Centro-Direita (NCD), que integra a coalizão governista -, e com Pierluigi Bersani, ex-secretário do centro-esquerdista Partido Democrático (PD) - o mesmo do atual premier.    

A primeira votação em sessão conjunta do Parlamento para escolher o próximo chefe de Estado será realizada nesta quinta-feira (29), mas até o momento Renzi não apresentou o nome indicado pelo governo. Nos últimos dias, ele orientara seu partido a votar em branco nos três escrutínios iniciais. O plano é divulgar seu candidato apenas no quarto, quando o quorum exigido para eleger o presidente é menor.   

"Ainda que os jornais deem um por dia, o nome ainda não foi decidido porque preferimos encontrá-lo juntos. O perfil desenhado nas consultas [com os partidos] é o de um defensor da Constituição, político e com interlocução internacional", declarou o primeiro-ministro aos senadores do PD.

Enquanto isso, o Movimento 5 Estrelas (M5S), sigla de oposição que detém a segunda maior bancada da Câmara e a terceira do Senado, começou uma votação no blog de seu fundador e líder, Beppe Grillo, para decidir quem irá apoiar.    

A lista conta com 10 nomes, incluindo o do ex-premier Romano Prodi (PD), de Bersani e do magistrado Raffaele Cantone, presidente da Autoridade Nacional Anticorrupção. O candidato escolhido será votado pelos parlamentares do M5S já a partir do primeiro escrutínio.

Para se eleger, o novo presidente precisa obter ao menos dois terços dos votos do corpo eleitoral presente, que reúne 630 deputados, 315 senadores, seis senadores vitalícios e 58 representantes regionais (três para cada região e um para o Vale d'Aosta). O número total é de 1009, mas pode variar caso alguém falte às sessões. Contudo, isso vale apenas para as três primeiras votações. A partir da quarta, a quantidade necessária passa a ser a maioria simples, ou seja, 505, ao invés de 673.