Com discurso afinado, Renzi e Merkel pregam união da Europa

Chanceler alemã elogiou reformas do governo italiano

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, e a chanceler alemã, Angela Merkel, apresentaram um discurso afinado ao fim do encontro bilateral entre os dois países nesta sexta-feira (23).

    Para Renzi, Itália e Alemanha estão juntas "para mudar a história da Europa", voltando a "entusiasmar os jovens" como um sinal de um ideal comum europeu contra aqueles que "querem destruir" a unidade do continente. Ele ainda destacou que "nós continuamos a falar sempre só de desafios econômicos, mas esquecemos de um tema: a força da Europa no mundo".

    Mostrando sintonia com o discurso do premier, Merkel afirmou que o plano de reformas proposto por Renzi é "muito ambicioso e importante" e que, mesmo com o "longo processo, estou segura que ele trará resultados". Ela ainda aproveitou para, indiretamente, criticar a oposição no país dizendo que "sabe bem" que as reformas não devem ser bloqueadas.

    Ao falar da unidade do bloco, Merkel voltou a insistir na permanência da Grécia na União Europeia. "Quero lembrar que na base dos nossos princípios está a solidariedade. Quero que os gregos, não obstante das dificuldades, continue a fazer parte da nossa história", disse a alemã.

    - BCE: Sobre as novas medidas econômicas do Banco Central Europeu (BCE), Renzi destacou que esses são os "primeiros sinais positivos" da entidade, mas que isso não pode "parar as reformas". Essa foi a mesma frase utilizada pela líder alemã ontem (22), durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

    Para Merkel, "as escolhas do BCE são muito importantes e acredito que tudo o que foi anunciado dará um impulso" para a retomada do crescimento no bloco europeu. Ela ainda afirmou que o plano de investimentos do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, será levado adiante pela Alemanha. Itália e Alemanha têm visões diferentes sobre a situação atual da União Europeia. Renzi prega um maior apoio ao crescimento e às iniciativas de crescimento, enquanto Merkel é defensora da política de austeridade e de controle fiscal. O discurso dos dois, aparentemente, indica que há uma leve mudança de postura e um maior entendimento entre os países. (ANSA)