O Ministério do Interior do Egito autorizou a polícia e os militares a atirar contra qualquer pessoa que tentasse atacar as forças de segurança ou locais considerados estratégicos. O presidente interino do Egito, Adly Mansour, aceitou a renúncia do vice-presidente Mohamed el Baradei.
O Prêmio Nobel da Paz deixou o cargo ontem, depois que as forças de segurança do país desocuparam com violência os acampamentos montados por partidários do presidente deposto Mohamed Morsi.
Continua aumentando o balanço das vítimas dos confrontos no Egito. A televisão pública egípcia informou que "pelo menos quatro pessoas morreram durante os tumultos em Alexandria entre manifestantes pro-Morsi e residentes". Na cidade, localizada no norte do país, os partidários do ex-mandatário realizaram um cortejo em uma das principais rodovias da cidade, com retratos de Morsi e gritando slogans contra as Forças Armadas e o ministro do Interior.
Em Giza tumultos ocorreram entre residentes e manifestantes favoráveis ao ex-presidente. Segundo testemunhas, na área pode ser ouvidos tiros de armas de fogo. Os partidários de Morsi bloquearam a estrada que leva até as Pirâmides, incendiando pneus e posicionando bloqueios em outras rodovias.
Cinco militares morreram e outros quatros ficaram feridos em dois ataques contra postos de controles militares em Al-Arish, na região norte-oriental da Península do Sinai. Um policial de 21 anos morreu na mesma cidade, após o ataque contra um clube de militares realizado por um grupo de homens armados. A ministra das Relações Exteriores da Itália, Emma Bonino, anunciou que Roma apresentará uma proposta para União Europeia (UE) para o bloqueio dos fornecimentos de armas ao Egito.
"Acredito que não devemos nós render, e que, ao contrário, a crise egípcia começou hoje. Já tínhamos bloqueado qualquer fornecimento de armas, bloqueio que confirmamos e que levaremos como iniciativa na UE", afirmou Bonino, que ressaltou como a comunidade internacional deve "assumir suas responsabilidades".