Pequenos agricultores são expropriados por Eike Batista, diz 'FT'

Jornal britânico destaca ascensão e queda do império do empresário

O empresário brasileiro Eike Batista estampa a capa do jornal britânico Financial Times nesta quarta-feira (7/8). Com o título “Eike Batista: Reversal of fortune” (o reverso da fortuna) a reportagem assinada pelos jornalistas Joe Leahy e Samantha Pearson, correspondentes do veículo no Brasil, abre com denúncias feitas por pequenos agricultores do município de São João da Barra, região norte fluminense do Rio. As acusações publicadas pelo jornal são sobre expropriação em massa de terras de famílias que residem na região, de forma coerciva, para construção do Superporto do Açu, um complexo de US$ 40 bilhões e que é maior do que a ilha de Manhattan. A matéria apresenta depoimentos de agricultores e afirma que a polícia nega qualquer conhecimento do incidente. A publicação diz que a empresa de logística de Eike Batista e a agência industrial do governo do Rio, que está realizando as desapropriações, não estão acatando as alegações da população e fazendo reassentamentos de forma forçada.

A partir das denúncias, a matéria de uma página no jornal britânico analisa a ascensão e queda de Eike Batista, destacando que o empresário brasileiro alcançou o status de “mais rico do Brasil”, mas viu seu império desmoronar com a falência das suas empresas startups de petróleo, mineração e logística. O veículo destaca que a empresa OGX, de propriedade de Eike, está em queda livre depois de declarar o fracasso em poços de produção de petróleo que podem ser desativados. Segundo o britânico - "Isso fez com que o magnata - que encarna melhor que ninguém a euforia com o Brasil e outras nações chamadas Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e àfrica do Sul, na sigla em inglês) durante a primeira década do século XXI - esteja à beira da ruína. Sua fortuna, estimada no ano passado em mais de US$ 30 bilhões, foi reduzida a US$ 200 milhões". Mesmo assim, ele "encara melhor que ninguém a euforia com o Brasil e outras nações emergentes durante a primeira década do século XXI". O texto classifica o declínio do empresário brasileiro como uma “morte” e isso “é um sinal mais amplo dos tempos mais difíceis à frente para empresários brasileiros agora que a onda das commodities está diminuindo".

A reportagem aborda as expectativas dos investidores que acreditaram na promessa não cumprida feita por Eike Batista “para conceder uma tábua de salvação de US $ 1 bilhão para a OGX por meio de uma opção de venda, bem como a sua venda de ações, duas semanas antes do anúncio de que seus poços foram extintos”. O jornal diz que Eike desapareceu da vista do público. “Sua conta, que antes era ativa no Twitter, ficou em silêncio, desde maio. No final de julho, ele reapareceu rapidamente, com a publicação de uma carta apaixonada no jornal Valor Econômico, defendendo o seu registro”, destaca o jornal. A matéria é encerrada com novas declarações dos agricultores de São João da Barra. “O governo do estado do Rio diz que quem se queixa são encrenqueiros - a maioria das pessoas, ou 271 famílias, já entregou a terra em troca de remuneração, e 16 famílias até agora foram reassentadas”, destaca a reportagem.