Papa Francisco e Bento XVI se encontram em cerimônia no Vaticano

O papa Francisco e o papa emérito Bento XVI voltaram a se encontrar nesta sexta-feira (5) no Vaticano, durante a inauguração de uma estátua a São Miguel. Os dois se abraçaram após a cerimônia.

O encontro ocorreu no dia do lançamento da primeira encíclica da história escrita por dois papas, com o título "Lumen fidei" ("A luz da fé").

O prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Marc Ouellet, afirmou que a encíclica comprova a "unidade" entre o papa Francisco e o papa emérito Bento XVI, por ter sido escrita "a quatro mãos". "Faltava um pilar na trilogia de Bento XVI sobre as virtudes teológicas. A Providência quis que esse pilar fosse um presente do papa emérito ao seu sucessor", disse o cardeal, referindo-se ao fato de Bento XVI ter iniciado a produção do documento, antes de renunciar ao cargo de Pontífice, e passado o trabalho para Francisco, eleito em março. 

Segundo Ouellet, a encíclica é "símbolo de uma unidade" entre Francisco e Bento XVI, pois o primeiro "assumiu e levou adiante a tarefa colocada por seu antecessor". "A 'Luz da Fé' é, assim, entregue de um Pontífice ao outro, como nas competições de corrida, graças ao dom da sucessão apostólica, mediante a qual é assegurada a continuidade da memória da Igreja", comentou o prefeito da Congregação para os Bispos. 

"Recebemos com grande alegria e gratidão essa confissão de fé integral sob forma de catequese a quatro mãos dos sucessores de Pedro", acrescentou Ouellet. 

Já o arcebispo Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, destacou que Francisco e Bento XVI são "autênticas luzes de fé e de esperança para o homem contemporâneo". "Trata-se de um acontecimento feliz que este texto tenha sido escrito pelas mãos de dois Pontífices. Quem o lê pode notar, além das diferenças de estilo, a substancial continuidade da mensagem do papa Francisco com o magistério de Bento XVI", disse Müller, ao apresentar oficialmente a encíclica em uma coletiva de imprensa no Vaticano.