Encíclica do papa Francisco defende fé nas relações sociais

A encíclica teve contribuição do papa emérito Bento XVI

A encíclica "Lumen Fidei" (Luz da Fé), lançada nesta sexta-feira pelo papa Francisco, com contribuição do papa emérito Bento XVI, resgata conceitos de João Paulo II, rebate pensamentos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e defende a fé como elemento essencial para a relação entre os homens. 

Em sua primeira encíclica, Francisco nega que um crente seja "arrogante", argumentando que "a fé acorda o senso crítico" e "alarga os horizontes da razão". "A fé não é um refúgio para as pessoas sem coragem, mas sim, a dilatação da vida", escreveu o Pontífice, segundo o qual a fé é "uma luz para a vida em sociedade". 

De acordo com Francisco, a fé contribui para o "bem comum", estabelecendo "vínculos" entre os homens, e "ilumina as relações", incluindo as familiares, que devem ser baseadas na "união estável do homem e da mulher no matrimônio". "A fé nos faz entender a arquitetura das relações humanas e ajuda a edificar as nossas sociedades", disse o papa.    

Em outro trecho da encíclica, Francisco afirma que a busca pela fé não se torna, necessariamente, fanatismo, porque "o homem precisa de conhecimento, de verdade". "Sem isso, não se sustenta e nem vai adiante", disse. "A fé, sem a verdade, não salva, não protege os nossos passos", acrescentou. Com isso, ele contra-argumenta idéias de Nietzsche de que a fé "é uma ilusão que impede nosso caminho de homem livre em direção ao amanhã". "A fé é uma espécie de luz capaz de esquentar o coração, de levar a uma consolação privada", afirma o Pontífice.    

Ele também fez um apelo para as pessoas, principalmente os jovens, manterem a esperança, citando, ainda, a importância da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). A próxima edição do evento, que ocorre a cada dois ou três anos, ocorrerá neste mês na cidade do Rio de Janeiro.