Movimentos sociais reunidos na Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) participarão da 23ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que será realizada nesta terça-feira em Genebra, na Suíça. No evento, a representante da Ancop, Larissa Araújo, lançará a campanha "Copa para quem?", com o objetivo de denunciar o que o grupo chama de violações de direitos humanos decorrentes da realização dos grandes eventos esportivos no Brasil nos próximos anos - Copa das Confederações de 2013, Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Durante a sessão, a Ancop pedirá que a ONU diga ao governo brasileiro que "pare imediatamente as remoções forçadas e, em parceria com as comunidades afetadas, crie um plano nacional de reparações e um protocolo que garanta os direitos humanos em caso de despejos causadas por grandes eventos e projetos". O grupo também fará um evento paralelo à sessão do conselho, em que lançarão o vídeo da campanha "Copa para quem?".
Segundo a Ancop, as remoções forçadas têm sido o grande drama das famílias brasileiras desde o início das obras para a Copa do Mundo e às Olimpíadas. "Estima-se que pelo menos 200 mil pessoas estejam passando por despejos relacionados aos eventos, o que corresponde a quase um em cada mil brasileiros", diz a entidade. "A ANCOP já submeteu denúncias para a Relatoria Especial e para a Revisão Periódica Universal da ONU em outras ocasiões, que serviram de base para a Resolução13/2010 sobre megaeventos e direito à moradia, para duas cartas sobre o tema (em 2011 e 2012) da Relatoria Especial da ONU para o governo brasileiro, e gerou recomendações específicas do Conselho da ONU ao Brasil durante seu encontro em maio de 2012".