Papa preside a Via Crúcis e destaca significado da cruz

O papa Francisco presidiu pela primeira vez a cerimônia da Via Crúcis em torno do Coliseu Romano, na noite desta Sexta-Feira Santa (29). Ao contrário do que havia sido especulado nos últimos dias, o pontífice não chegou a carregar a cruz em algum trecho entre as 14 estações do percurso.

Francisco chegou ao Coliseu às 20h locais (17h no horário de Brasília). Centenas de pessoas, muitas com círios, já aguardavam o novo papa para o começo da celebração. Durante o discurso, Francisco destacou a importância do significado da cruz.

"Não quero dizer muitas palavras. Nesta noite, deve permanecer só uma palavra, que é a própria cruz", disse o papa.

"A cruz de Jesus é a palavra com a qual Deus respondeu ao mal do mundo. Às vezes, parece que Deus não responde ao mal, que fica em silêncio. Mas, na verdade, Deus falou, respondeu, e a sua resposta é a cruz de Cristo: uma palavra que é amor, misericórdia, perdão", ressaltou.

"Caros irmãos, a palavra da cruz é também a resposta dos cristãos ao mal que continua a agir ao redor de nós. Os cristãos devem responder ao mal com o bem, pegando para si a cruz, como Jesus", disse Francisco.

Ele também lembrou da viagem que o papa emérito Bento XVI fez ao Líbano, no ano passado, e destacou a convivência entre cristãos e muçulmanos no país.

"Agora continuemos essa Via Sacra na vida de todos os dias. Caminhando juntos na via da cruz, caminhando e levando no coração essa palavra de amor e de perdão. Caminhando e esperando a ressurreição de Jesus, que ama tanto. Tudo é amor", encerrou o Pontífice.

A cerimônia teve forte marca de seu antecessor Bento XVI, que encomendou as meditações proclamadas ao fim de cada estação do percurso ao patriarca da Igreja maronita libanesa, Bechara Rai, como forma de mostrar os problemas que os cristãos enfrentam no Oriente Médio por conta da guerra na Síria e da perseguição em diversos países da região.

Em celebração, padre pede que papa conduza Igreja de volta às origens

Na primeira celebração da Sexta-Feira da Paixão comandada pelo papa Francisco, na Basílica de São Pedro, pela manhã, o padre capuchinho Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifical, fez críticas à atual organização da Igreja Católica. O sacerdote pediu que o sumo pontífice "conduza [a Igreja] à simplicidade e à linearidade de suas origens".

Cantalamessa comparou a Igreja Católica a um "edifício antigo", sob os olhares graves do papa, que vestiu a casula vermelha com as cores da Paixão. Para ele, todas as mudanças que a instituição assimilou para acompanhar as mudanças da sociedade hoje são prejudiciais:

"No decorrer dos séculos, para se adaptar às exigências do momento, os velhos edifícios foram enchidos de divisões, de escadas, de salas". No entanto, segundo ele, as adequações "não correspondem mais às exigências. É preciso ter coragem para colocar tudo isso abaixo", destacou, pedindo a Francisco: "Vá e reforme a minha casa".

O padre capuchinho ainda se manifestou contra  "os muros divisores, o excesso de burocracia, os restos de aparatos, leis e controvérsias passadas, que se tornaram simples detritos".

Uma imagem de Cristo foi levada até Francisco, que a tocou com delicadeza e beijo o rosto de Jesus Cristo.