Eleições na Itália geram instabilidade política

Centro-esquerda conquistou a Câmara, mas o Senado ficou dividido

Os resultados das eleições gerais na Itália mostram o Movimento 5 Estrelas (M5S), do comediante Beppe Grillo, como o principal partido italiano na Câmara dos Deputados. Os resultados geraram uma situação de instabilidade política e a impossibilidade de criar uma maioria no Parlamento.    

O M5S conquistou 26% dos votos na Câmara dos Deputados e 24% no Senado, superando os partidos políticos tradicionais como o Povo da Liberdade (PDL), do ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, e o Partido Democrático (PD), do candidato da bancada de centro-esquerda Pier Luigi Bersani.    

O PDL conquistou 21,54% dos votos na Câmara e 22,3% no Senado, enquanto o PD obteve 25,43% na Câmara e 27,43% no Senado.    

Os resultados eleitorais na Itália tornam impossível criar um governo com uma maioria no Parlamento, já que nenhum dos partidos conquistou o número mínimo de deputados e senadores necessários para formar uma maioria estável.    

O grande vencedor desse pleito foi Beppe Grillo, mas o ex-premier Silvio Berlusconi também demonstrou sua satisfação pelos resultados, pois o PD era apontado pelas pesquisas de intenção de voto com mais de 10 pontos de vantagem sobre o PDL.    

Os grandes derrotados da eleição são o primeiro-ministro Mario Monti, que chegou aos 10% dos votos, mostrando que os italianos não apreciaram seu governo técnico, e Pier Luigi Bersani, que não esperava um resultado dão decepcionante de seu partido.    

Segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal, "apesar das preocupações dos mercados, as eleições italianas produziram o pior resultado possível: um resultado não conclusivo na base do qual é difícil prever qualquer governo estável. Uma força inesperada do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e do movimento anti-conformista do ex-comediante Beppe Grillo destruíram as esperanças dos investidores para uma coalizão entre o partido de centro-esquerda liderado por Pierluigi Bersani e o atual primeiro-ministro Mario Monti para levar adiante a agenda de reformas".