A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, pela sigla em espanhol) divulgou comunicado nesta quinta-feira expressando preocupação pelo “ambiente de contínuas restrições da liberdade de imprensa e exercício do jornalismo no Equador”. Em pouco mais de uma semana, no dia 17 de fevereiro, o país realiza eleições presidenciais e legislativas. O atual presidente, Rafael Correa, é favorito para vencer ainda no primeiro turno.
“Segundo os informes procedentes do Equador, as restrições vão desde a forma de financiar e contratar publicidade, até a desqualificação de comerciais de televisão que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) considera ofensivos”, disse Claudio Paolillo, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP. Formada por mais de 1.300 publicações e com sede em Miami, nos Estados Unidos, a entidade sem fins lucrativos se dedica a defesa da liberdade de imprensa nas Américas.
Segundo ele, um exemplo do problema, é que os candidatos só podem investir o recurso público destinado pelo CNE para a campanha e meios de comunicação que se inscreveram previamente. “Isso significa que os candidatos não podem contratar publicidade por contra própria”, afirmou.
A SIP afirma ainda que o Conselho Nacional Eleitoral, órgão estatal, vetou um comercial de televisão de um candidato que mostrava uma caricatura de um “rei” que enfrentava os problemas de seu país, como o desemprego, em uma clara alusão ao presidente Correa. Na peça publicitária, o rei resolvia o problema contratando mais propaganda para que os “súditos” acreditassem que havia emprego para todos.
O comunicado da Sociedade Interamericana de Imprensa afirma que um site anônimo foi retirado do ar logo após acusar o presidente Correa de possuir contas na Suíça. Também cita a denúncia de um ex-editor do jornal El Universo, que afirma que seu canal no YouTube foi tirado do ar logo após ele postar uma reportagem que vinculava o atual presidente à guerrilha das Farc.
“No início de janeiro, quando começava a campanha eleitoral, o presidente Correa havia decretado um incremento de 70% nos salários dos jornalistas, enquanto as demais atividades tiveram aumentos de cerca de 8%”, diz o comunicado da SIP. A decisão teria ocorrido após uma reunião do presidente com representantes dos veículos de comunicação. “Diante dos protestos dos empresários pelo grande aumento, em especial dos menores, Correa pediu à Secretaria Nacional de Comunicação para estudar a criação de subsídios estatais para esses meios e jornalistas em particular”, afirma a entidade.