A Suprema Corte dos Estados Unidos, após anos de restrições legais, tomou duas decisões que diminuíram as barreiras sobre o financiamento e os gastos nas eleições por grupos com interesses específicos na política do país, como corporações e sindicatos. De acordo com especialistas, o relaxamento na legislação permitiu a criação de super comitês de ação política (PACS), conhecidos como Super PACS. Estes comitês ganharam a liberdade de gastar ilimitadamente em novos tipos de organizações políticas, que dispõem de volumosas quantias de verbas.
Apesar de a regulação federal impedir que esses PACS coordenem suas ações políticas com as campanhas dos candidatos à presidência, Peter Fenn, consultor político que trabalha para o Partido Democrata, aponta que na prática a situação é outra.
"A maioria desses grupos chamados de independentes não é nada independente. Eles podem até não trabalhar sob ordens diretas dos candidatos ou dos partidos, mas conhecem as questões em jogo. Eles são partes e parcelas da campanha", disse.
Segundo a presidente da Comissão Eleitoral Federal, Cynthia Bauerly, a decisão da Corte enfraqueceu a proibição imposta a corporações de financiar, fazer propaganda eleitoral ou doações independentes em nome dos candidatos.
Para o jornalista David Levinthal, do jornal Político, a mudança é que, agora, as empresas, sindicatos e outros grupos de interesses específicos podem gastar quanto quiserem a favor de novos tipos de organizações políticas que, por sua vez, dispõem de quantias ilimitadas de verba.
Os casos em questão são de 2010, e neles os juízes concordaram com dois grupos a respeito dos regulamentos da Comissão Eleitoral Federal em vigor, que iam contra a garantia da primeira emenda da Constituição norte-americana, no que diz respeito à liberdade de expressão.
Em meio às críticas da decisão da Suprema Corte e à crescente influência dos Super PACS, alguns especialistas argumentam que ambos os partidos têm chances iguais para arrecadar verbas e que o eleitorado não é influenciado por esses grupos externos.
Romney X Obama
Em abril deste ano, a campanha do candidato republicano à presidência, Mitt Romney, anunciou US$ 86 milhões em contribuições. De acordo com a agência Voz da América, um grupo de interesse ligado ao republicano - intitulado "Restaurar o nosso Futuro" - informou ter levantado mais US$ 52 milhões. A soma atinge US$ 138 milhões.
Já na campanha do democrata e atual presidente Barack Obama, a cifra angariada junto aos grupos de apoio foi de US$ 200 milhões, na mesma época do ano.
*As informações são da agência Voz da América.