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Recém-criado, o Sudão do Sul está à beira de um colapso

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Quando o Estado do Sudão do Sul foi criado, com grande algazarra, Israel foi uma das primeiras nações a reconhecê-lo, apoiando os líderes da região desde 1960, quando aconteceu a primeira guerra civil. De fato, no último mês de dezembro, Salva Kiir Mayardit, presidente do Sudão do Sul, foi a Jerusalém, onde discutiu a locação de uma embaixada naquele país. O presidente Shimon Peres discursou entusiasticamente, classificando o momento como comovente e histórico para ele e para Israel.  

Agora, menos de um ano depois, sob a luz dos planos israelenses de expulsar os refugiados do Sudão do Sul, vale a pena observar como a nação mais jovem do mundo está entrando em colapso. 

Possivelmente, o maior problema que o país enfrenta é o tribalismo, apesar da unidade que foi cultivada junto aos rebeldes durante as décadas de resistência às campanhas agressivas em Khartoum. Os sinais precoces da indisposição começaram a aparecer quando os conflitos entre as tribos Lou Nuer e Murle, no estado de Jonglei, em 2009, repentinamente foram intensificados, em agosto de 2011. Até o início de 2012, mais de três mil pessoas haviam morrido e mais de 100 mil haviam ficado desalojadas.

Em uma tentativa de acalmar as tensões, um acordo pelo fim da violência foi firmado no início de maio pelos líderes tribais representantes de seis grupos em Jonglei: Dinka, Kachipo, Jie, Nuer, Anyuak and Murle.

A estabilidade em Jonglei é crucial para a economia do Sudão do Sul, por oferecer a possibilidade de um oleoduto que pode ir da Etiópia ao Djibouti, possibilitando ao país exportar sua vasta reserva de petróleo sem ter que contar com seu vizinho do norte. Entretanto, o Sudão não só impôs altas taxas de trânsito ao Sudão do Sul, como se deu a liberdade de embargar parte da produção de petróleo, caso essas taxas não sejam pagas.  

Ainda assim, a decisão unilateral de responder às políticas do Sudão, suspendendo a produção de óleo antes da alternativa do oleoduto, pode apenas ser descrita como tolice da parte da liderança em Juba, a capital.

Como informou um relatório do World Bank, vazado para o Sudan Tribune, o fechamento da indústria de petróleo – junto às medidas de austeridade adotadas pelo governo – pode aumentar a taxa de miséria de 51%, neste ano, para 83% até 2013, enquanto a taxa de mortalidade infantil pode dobrar no mesmo período.

O motivo pelo qual as estatísticas podem se tornar realidade, como na era pós-Sadam, no Iraque, se deve ao fato do Sudão do Sul ser extremamente dependente do petróleo, com a exportação da commodity sendo responsável por 98% da renda do governo. Infelizmente, Mayardit e seu gabinete parecem esquecidos das implicações de suas decisões.

Enquanto isso, não é apenas na área rural que o tribalismo está presente. O fenômeno se estende até ao campus da Universidade da capital. Se isso acontece até na principal Universidade do país, entre alunos que provavelmente constituirão a futura elite da nação, não deve ser surpresa que o presidente comece a apresentar tendências autoritárias.  

Como no exemplo dado pelo The National, que recentemente chamou atenção para o caso de um empregado do ministro do Exterior, James Okuk. Ao retornar de uma viagem ao Brasil, em outubro de 2011, ele foi preso pela polícia, mantido em uma casa abandonada por quatro dias e acusado de “ofender o presidente”, simplesmente por ter escrito um artigo criticando o exercício de cargo de Mayardit.

Quando o Sudão do Sul se declarou independente, havia muitas esperanças de se tornar um modelo de democracia na África Subsaariana, mas os acontecimentos até agora apontam para outro caminho. Tribalismo, governo autoritário e políticas econômicas desastrosas cujas consequências podem gerar altos níveis de miséria no país. 

* Com informações do jornal Haaretz