Cinco denunciados pelos atentados de 11 de setembro são acusados formalmente

No tribunal militar da base norte-americana de Guantánamo (Cuba), o juiz  James Pohl, responsável pelo processo dos cinco denunciados pelos atentados de 11 de setembro, acusou formalmente o grupo por crimes de conspiração, ataque a civis, homicídio, violação da lei, destruição, sequestro de aviões e terrorismo. Para a Justiça, o líder do grupo é Khalid Sheikh Mohammed, de 47 anos. Os atentados provocaram 2.976 mortos.

O julgamento, que começou ontem (5), marca um ano da morte de Osama Bin Laden, fundador e líder da rede Al Qaeda, suspeito de ser o principal mentor dos atentados. Ao longo da sessão, os cinco acusados deverão ser  indiciados pelos assassinatos decorrentes dos ataques com aviões em Nova York, Washington e Shanksville, na Pensilvânia. Os acusados nesse julgamento são Walid Bin Attash e Mustafa Al Hawsawi, da Arábia Saudita, Ramzi Bin Al Shibh, do Iêmen, e Ammar Al Baluchi, do Paquistão. Al Baluchi é sobrinho de Khaled Sheikh Mohammed, que é apontado como líder dos atentados.

Ontem (5), a audiência com Mohamed durou mais de nove horas. Os cinco acusados permaneceram a maior parte do tempo com os olhos fixos no chão. Dois deles se concentravam em um livro que parecia ser o Alcorão– o livro sagrado dos muçulmanos – e em um exemplar da revista britânica The Economist.

O advogado de Mohamed, David Nevin, disse que seu cliente não deve se manifestar durante o julgamento porque há três anos ele assumiu ter planejado os ataques. “[Mohamed está] muito preocupado com a justiça do processo”, disse o advogado.

Na audiência de ontem os acusados se negaram a usar os aparelhos de tradução – do inglês para o árabe – alegando que o sistema lembrava os violentos interrogatórios a que foram sumbetidos. Novas regras impedem o uso de provas obtidas por meio de tortura, como a técnica de afogamento conhecida como waterboarding, que era utilizada pela CIA, o serviço secreto norte-americano.

Ainda assim, advogados de defesa alegam que os tribunais militares não têm legitimidade, devido à restrição de acesso a seus clientes.