Repsol quer indenização de US$ 10 bilhões por expropriação na Argentina

A petrolífera espanhola Repsol reagiu, nesta terça-feira (17), à expropriação arbitrária do governo argentino de 51% da YPF, filial do conglomerado no país. O presidente do grupo, Antonio Brufau, afirmou que demandará indenização de US$ 10 bilhões do governo da Argentina. Ainda disse que, com a medida, a líder de governo argentino, Christina Kirchner, está buscando ocultar a crise econômica da Argentina.

“Ao levantar a bandeira da expropriação e buscar um responsável na YPF esconde a realidade", afirmou Brufau. Na opinião do presidente, a descoberta de óleo no campo de Vaca Muerta é o que justifica a nacionalização da companhia, bem como o modelo energético de subsídios da Argentina, para ele insustentável, que leva a um "consumo descontrolado de gás e a faturas impossíveis de pagar".

A Repsol pedirá em juizado internacional uma compensação de mais de 10 bilhões de dólares, o equivalente a 57,4% da participação da companhia na YPF. Brufau ainda vociferou que tais atos não ficarão impunes.

Ele também argumentou que as autoridades argentinas adentraram as instalações da empresa baseados em uma “lei de Videla”, em alusão ao ex-ditador Jorge Videla, e considerou que essa medida não cabe a um país moderno.

De acordo com o entendimento da Repsol, para se promover a desapropriação de 50,1% a Argentina deveria apresentar uma oferta pública de ações (OPA). Nos estatutos da YPF, em caso de aquisição igual ou superior a 15%, o comprador deve fazer uma OPA pela totalidade dos papéis da companhia. Brufau ainda disse que a campanha contra a Repsol nas últimas semanas foi uma estratégia para causar a queda do valor das ações da YPF e abrir caminho para a expropriação a preços menores.

Repsol-YPF 

A YPF foi comprada em 1999 pela petrolífera espanhola Repsol e, à época, foi a grande aposta da companhia para propulsionar seu processo de internacionalização. O montante pago pela aquisição foi de 13,4 bilhões de euros.

Atualmente, a YPF produz metade do petróleo da Repsol (530 mil barris por dia), possui pouco menos da metade de suas reservas totais (1 bilhão de 2,1 bilhões) e gera cerca de um terço do lucro bruto. Segundo dados do El País, a YPF já investiu 11 bilhões de euros na Argentina e triplicou a quantidade de dividendos pagos pela empresa. 

A composição acionária da YPF estava distribuída da seguinte maneira: 58,23% da Repsol, 25,46% do Grupo Petersen, 16,3% de capital flutuante na Bolsa e apenas 0,01% do governo argentino.