Para Brasil, reeleição de Obama vale mais que presença dele na Rio+20 

Mais importante que o convite feito pela presidente Dilma Roussef para que o presidente americano Barack Obama participe da Rio +20, conferência da ONU para desenvolvimento sustentável, que vai acontecer no Rio de Janeiro no próximo mês de junho, é que ele ganhe a reeleição em novembro. De acordo com o embaixador André Corrêa do Lago, chefe das negociações do Brasil para a conferência, a atuação de Obama nos temas que se referem às discussões internacionais sobre sustentabilidade é que mais interessam neste momento. 

"O governo Obama, desde o início e de forma clara, quer fortalecer o multilateralismo das discussões e é muito importante isso ter continuidade", disse o embaixador.

Ele minimizou as questões sobre a confirmação ou não da vinda de um grande número de chefes de Estado ao país para o evento. Ele disse que a Rio +20 é da ONU e que os temas estão sendo amplamente discutido por lá o que garante o sucesso do evento. Sobre os problema de hotelaria, quando muitas delegações estariam diminuindo seu pessoal por conta da falta de hotéis na cidade e dos altos preços cobrados pelos que existem, Corrêa do Lago disse qualquer evento dessa natureza é um desafio de logística para o país anfitrião: "Em Copenhague tivemos pessoas hospedadas até na Suécia", exemplificou.

Sobre o impacto negativo que a crise econômica possa ter no esvaziamento das discussões, André Correa do Lago comentou que por um lado é verdade que a crise prejudica as discussões, no que se refere a repasse de verbas dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento. Porque os ricos agora, mais do que nunca, precisam de dinheiro. Mas que essa crise econômica, que ele classificou como grave, pode fazer com que a Rio+20 abra alternativas ao modelo atual. "Vamos poder discutir a crise econômica, a crise social e também a crise ambiental por que passamos e buscar soluções a longo prazo" afirmou.

Dentro do documento que está sendo elaborado pelos países, o embaixador citou as preocupações com as mudanças de padrão de produção sustentáveis por parte de empresas e também numa mudança geral do padrão de consumo, que, segundo ele, devem começar de cima, por parte de países que implantaram um sistema de consumo universal, como Estados Unidos e Europa. "Por exemplo, na valorização dos transportes públicos, que eles fazem muito bem, mas também na questão do consumo de energia, que não é um problema para nós, mas para eles ainda é".

André Correa do Lago disse que é preciso estar preparado que o mundo alcance metas de erradicação da pobreza e que tenha uma classe média (segundo ele, cerca de 9 bilhões de pessoas em 2050 em todo o mundo) mais voltada para questões sustentáveis. "E o Brasil, por seu momento atual, quer ficar na vanguarda das questões de desenvolvimento sustentável, onde se encontra um equilíbrio entre as questões ambientais, sociais e econômicas", disse.