Defesa pede arquivamento de caso no início do julgamento de Strauss-Kahn

NOVA YORK - A defesa do ex-diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, pediu nesta quarta-feira, durante uma audiência preliminar, realizada em Nova York, o arquivamento do processo por agressão sexual iniciado pela camareira do hotel Sofitel, Nafissatou Diallo, sob a alegação de que DSK possuía "imunidade diplomática", na época dos fatos - o que é rejeitado pela acusação.

O novo capítulo dos problemas judiciais de Strauss-Kahn nos Estados Unidos acontece apenas dois dias depois de sua acusação na França por "proxenetismo com formação de quadrilha" no caso do hotel Carlton.

A primeira audiência preliminar do processo civil americano, presidido pelo juiz Douglas McKeon, foi realizada no Bronx (norte de Nova York) sem a presença de Strauss-Kahn nem de Nafissatou Diallo, a camareira do hotel que o acusou de uma "agressão sádica e violenta", no dia 14 de maio de 2011 em um quarto do Sofitel de Manhattan.

Sete meses depois do abandono das acusações em Nova York contra o ex-diretor-gerente do FMI, seus advogados pediram que seja levada em conta a imunidade que, no seu entender, ele dispunha no momento dos fatos.

O caso "deve ser arquivado", afirmou o advogado Amit Mehta em uma sala de audiência repleta de jornalistas, lembrando que seu cliente dispunha do "mesmo tipo de imunidade diplomática que têm outros altos funcionários e diplomatas".

Mehta citou uma convenção para alguns organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), adotada pelas Nações Unidas em 1947.

Contudo, o juiz McKeon se mostrou mais cético e pediu ao advogado detalhes desses textos, lembrando que o regulamento do FMI concede imunidade apenas dentro das funções vinculadas pela instituição.

Para um dos advogados da camareira, Douglas Wigdor, "a imunidade do diretor-gerente do FMI é limitada a atos oficiais". Com esse argumento, ele solicitou ao juiz que não aceite o pedido de arquivamento do processo.

A acusação de Diallo provocou a detenção do então diretor-gerente do FMI, que era o principal candidato socialista às eleições presidenciais francesas e o início de sua descida ao inferno.

Embora a Procuradoria de Manhattan tenha retirado as acusações penais por inconsistências nas declarações da funcionária de hotel e Strauss-Kahn tenha sido liberado, os advogados de Diallo, Kenneth Thompson e Douglas Wigdor, recorreram à justiça civil para exigir um valor não indicado em dinheiro por perdas e danos.

Antes da audiência, o juiz McKeon tinha dito que revelaria sua decisão sobre a questão da imunidade nas próximas semanas.

Se o juiz aceitar os argumentos dos advogados de Diallo, segundo os quais DSK não tinha imunidade diplomática, começará um longo processo que poderia levar a um julgamento.

Thompson e Wigdor disseram que estão dispostos a viajar para a França, se necessário, para interrogar Strauss-Kahn, que nunca deu à justiça sua versão dos fatos ocorridos no hotel Sofitel.

Até o momento, os advogados de Diallo e Strauss-Kahn descartaram um acordo extrajudicial, que evitaria um julgamento com a participação de um júri popular.

Segundo os especialistas, a quantia em jogo poderia ser elevada, mais ainda levando em conta que, havendo um julgamento, os jurados do Bronx são conhecidos por serem mais generosos com a acusação.