Exército sírio lança ataque terrestre contra Homs 

O Exército sírio lançou uma ofensiva terrestre contra o bairro rebelde de Baba Amr, na cidade de Homs, centro da Síria, sitiada e bombardeada há semanas, informou nesta quarta-feira à AFP uma fonte das forças de segurança em Damasco.

"O setor está controlado. O Exército procedeu uma limpeza quadra por quadra, casa por casa e agora os soldados estão verificando cada porão e túnel em busca de armas e terroristas", indicou essa fonte, explicando que "ainda restam alguns focos de resistência por eliminar".

Já o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) mencionou "combates no perímetro de Baba Amr entre o exército regular e grupos de desertores que querem impedir o ataque ao bairro".

"São ouvidos explosões e tiros em outros bairros da cidade", afirmou.

A cidade é submetida a um intenso bombardeio desde 4 de fevereiro passado, indicou o OSDH.

Baba Amr era bombardeada de maneira intermitente desde cedo depois de uma noite de calma, indicou à AFP o militante Hadi Abddulah, membro da Comissão Geral da Revolução síria.

"As forças do regime conseguiram interromper uma rota clandestina através da qual chegavam provisões e o acesso à cidade está suspenso", confirmaram vários chefes do Exército Sírio Livre.

O regime tem enviado nos últimos dias novos reforços a Homs, entre elas a temida quarta divisão, o que faz temer um ataque final.

Na madrugada desta quarta-feira, houve manifestações em Damasco em apoio às cidades sírias sitiadas, informaram militantes.

Na terça-feira, as violências no país deixaram ao menos 48 mortos, 33 deles civis, em sua maioria em Homs, indicou o OSDH.

O número de vítimas da repressão na Síria é de muito mais de 7.500 mortos, segundo declarou nesta terça-feira um alto funcionário da ONU.

Lynn Pascoe, secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Políticos, admitiu no Conselho de Segurança que as Nações Unidas não podiam dar cifras exatas sobre o número de mortos durante as manifestações opositoras na Síria.

Pascoe afirmou que o fracasso da comunidade internacional para deter o massacre incentivava o governo sírio a acreditar que podia agir com impunidade.

Observadores sírios de direitos humanos afirmaram que mais de 7.600 pessoas morreram nos últimos 11 meses, mas este é o maior número divulgado até agora pelas Nações Unidas.

Cerca de 25.000 refugiados, segundo registros da ONU, estão em países na fronteira com a Síria e entre 100.000 e 200.000 estão desabrigados dentro do país, acrescentou Pascoe.

Desde janeiro passado, as Nações Unidas já não divulgam números precisos da repressão na Síria por não ter informações fidedignas provenientes do país.

Por fim, informações confusas e contraditórias circulam sobre o destino da jornalista francesa Edith Bouvier, gravemente ferida na semana passada em Homs e que ainda estaria na Síria, segundo o jornal Le Figaro.

Outro jornalista, o fotógrafo britânico Paul Conroy, também ferido, conseguiu chegar na véspera ao Líbano, depois de ter sido retirado da Síria por militantes.