Novo atentado contra xiitas mata 53 peregrinos no Iraque 

BASRA - Um homem-bomba matou 53 pessoas em mais um atentado contra a comunidade xiita neste sábado, no último dia do Arbaeen, em que os peregrinos prestam sua homenagem à memória do imã Hussein, figura essencial do Islã xiita.

O ataque aos devotos xiitas nos arredores da cidade portuária de Basra, que também deixou 137 feridos, aconteceu em um contexto em que o Iraque está envolvido em uma disputa política que colocou o governo liderado pelos xiitas contra o principal bloco apoiado pelos sunitas causando tensões sectárias menos de um mês depois de as forças dos EUA completarem sua retirada.

A violência foi o último episódio em uma onda de ataques contra peregrinos xiitas ocorrida nas duas semanas antes da conclusão do Arbaeen, que marca os 40 dias depois da comemoração da Ashura, em recordação ao assassinato do Imã Hussein pelo exército do califa Yazid em 680 a.C.

O ataque com bomba matou 53 pessoas e feriu 137, de acordo com Riyadh Abdulamir, chefe do departamento de saúde da província de Basra. Ele disse que mulheres e crianças estavam entre os mortos, mas não deu maiores detalhes.

O número de mortes foi o mais alto desde ataques xiitas em Bagdá e no sul do Iraque que mataram 70 pessoas no dia 5 de dezembro.

O suicida, que estava distribuindo bolo e outros alimentos para os peregrinos que caminhavam para Khutwa Imam Ali, um local nos arredores de Basra venerado pelos fiéis por suas associações com uma das principais personalidades de sua fé, se explodiu próximo a um posto de controle.

"Eu vi um soldado segurar o agressor para levá-lo ao oficial responsável" , disse Kadhim Nasser, que estava no comando de uma parada de descanso para os peregrinos nas proximidades. "Quando ele estava empurrando o homem, algo aconteceu e o soldado caiu no chão".

"Imediatamente, ele explodiu a si mesmo. Quando fez isso, mulheres e crianças estavam passando. Eu vi dezenas de mulheres e crianças em meio aos feridos", acrescentou o homem de 42 anos.

Peregrinos no sul do Iraque que não podem visitar o santuário da cidade central de Karbala para celebrar a Arbaeen, fazem a viagem mais curta para Khutua Imam Ali, que está a cerca de 12 quilômetros a oeste de Basra.

Milhares de pessoas foram para Karbala neste sábado, em meio à segurança massiva diante da ameaça insurgente sunita. A batalha do século VII próxima a Karbala está no centro da divisão histórica entre as seitas xiitas e sunitas.

Oficiais disseram que 15 milhões de peregrinos passaram pela cidade nas duas últimas semanas que antecedem o fim das comemorações, incluindo cerca de 500 mil de fora do Iraque.

"Essas pessoas que estão realizando os ataques são idiotas e estúpidas se pensam que poderão nos impedir de caminhar até Karbala", disse Medhu Hussein, de 45 anos, que fazia o caminho de volta para Bagdá depois de completar os rituais.

O governador de Karbala, Amal al-Din al-Har, disse que enquanto os serviços até agora não tiveram problemas, a energia da província e as redes das estradas estavam sobrecarregadas pelo grande número de peregrinos.

Cerca de 35 mil policiais e tropas foram destacadas para oferecer segurança durante os rituais, com mais duas brigadas adicionais para proteger peregrinos voltando para casa, disse o tenente geral Othman al-Ghanimi, que comanda as forças centrais do Iraque.

Este ano é a primeira vez que as tropas do Iraque foram responsabilizadas sozinhas pela a segurança da Arbaeen desde a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003, já que as tropas americanas deixaram o país no mês passado.