Irã confirma intenção de disparar mísseis no estreito de Ormuz 

TEERÃ - A Marinha iraniana confirmou que pretende realizar disparos de mísseis de curto e longo alcances, durante exercícios militares no Estreito de Ormuz, anunciou neste sábado o comodoro Mahmud Musavi à televisão estatal, num momento em que o país brande a ameaça de fechar a via estratégica de passagem do petróleo, caso sejam aplicadas novas sanções ocidentais contra Teerã.

"Nos próximos dias efetuaremos testes com mísseis terra-mar, mar-mar e terra-ar", declarou.

Antes, a agência de notícias iraniana Fars chegou a informar que os testes já tinham começado com mísseis de longo alcance, disparados do litoral e de navios.

As manobras navais iranianas devem durar 10 dias, tendo começado no dia 24 de dezembro.

O vice-presidente Reza Rahimi ameaçou nesta semana não deixar passar "nenhuma gota de petróleo" pelo Estreito de Ormuz se as potências ocidentais aplicarem sanções adicionais contra o programa nuclear do país.

Os comandantes militares iranianos já afirmaram que seria muito fácil fechar o estreito.

Quase 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo, o que faz dele o ponto crítico vital do transporte de combustível do planeta, de acordo com informações da Agência Americana de Energia.

Quatorze petroleiros cruzam diariamente o pequeno estreito, com 17 milhões de barris. No total, 35% de todo o petróleo transportado por via marítima passou pela área em 2011.

Já os Estados Unidos, que estão presentes no Golfo com a Quinta Frota, interpretaram as ameaças iranianas de "comportamento irracional", indicando que o fechamento do estreito "não será tolerado".

Coincidindo com a tensão crescente na região, os Estados Unidos anunciaram o contrato de venda de 84 caças F-15 americanos à Arábia Saudita, o que envia a "mensagem" de que Washington está comprometido com a segurança no Golfo, disse durante a semana Andrew Shapiro, funcionário de alto escalão do Departamento de Estado americano.

A transação anunciada "vai melhorar a capacidade de dissuasão da Arábia Saudita e de defesa contra ameaças externas à sua soberania", declarou.

"O contrato, de 29,4 bilhões de dólares, prevê a produção de 84 novos aviões e a modernização de outros 70" F-15 já utilizados por Riad.

As últimas sanções aplicadas a Teerã foram motivo de uma grande manifestação, durante a qual foi atacada a embaixada britânica. Londres reagiu, fechando as portas da delegação e ordenando o cessar das atividades da embaixada iraniana no Reino Unido.