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Militantes sírios lançam campanha de desobediência civil

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DAMASCO - Os militantes pró-democracia na Síria anunciaram nesta quinta-feira o lançamento de uma campanha de desobediência civil para pressionar o regime do presidente Bashar al-Assad, que negou ontem qualquer responsabilidade na morte de milhares de manifestantes em seu país.

O regime matou nesta quinta-feira pelo menos sete civis em Homs, no centro do país.

Paralelamente, os militantes convocaram uma manifestação para sexta-feira com o slogan "a greve da dignidade".

"Sexta-feira da greve da dignidade para derrubar os assassinos", escreveram na internet. Uma greve geral para o domingo também foi convocada.

"Nós pedimos que os trabalhadores e operários de todos os organismos públicos, no interior e no exterior da Síria, façam greve", escreveram os militantes na página do facebook "Syrian révolution 2011".

"Continuaremos com a nossa Revolução pacífica e nossa luta civil até a vitória. A greve (...) é um passo na direção da desobediência civil (...) para cortar os meios financeiros do regime com os quais ele mata nossas crianças", acrescentou o comunicado.

Os militantes também pediram que os estudantes não assistam as aulas, informaram os Comitês Locais de Coordenação (LCC), principal força de oposição.

Em uma rara entrevista concedida ao canal americano ABC News, o presidente Assad negou qualquer responsabilidade na morte de milhares de manifestantes, afirmando que apenas "um louco" poderia ordenar a morte de seu povo.

Contudo, os assassinatos e prisões cometidos pelo regime continuaram, segundo os militantes.

Pelo menos sete civis morreram nesta quinta-feira por tiros das forças de segurança do regime, em diferentes bairros de Homs, durante operações, afirmarou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Oito outros civis foram feridos por tiros de agentes da segurança que "atiraram cegamente contra os habitantes de Hula", disse uma fonte.

Tiros de metralhadoras foram escutados durante toda a madrugada desta quinta-feira na cidade de Aqrab.

Além disso, confrontos entre desertores e o exército regular aconteceram em Duma, perto de Damasco, afirmou o OSDH.

Em Deraa (sul) as forças do regime realizaram perseguições na cidade al-Tiba.

A repressão do movimento de contestação já fez mais de 4.000 mortos, segundo a ONU. O poder sírio atribui as agitações à "grupos terroristas armados" e prosseguem com os ataques.

Uma explosão em um oleoduto no oeste de Homs aconteceu nesta quinta-feira. A agência de notícias Sana acusou "um grupo terrorista armado que quis sabotar um oleoduto em Tal al-Chor" perto de Homs, enquanto os LCC acusaram as forças militares sírias de "bombardear o oleoduto com um tanque".

Sobre a entrevista do presidente sírio, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Mark Toner, julgou "ridículo" o presidente "tentar se esconder atrás de algum tipo de jogo e se atrever a dizer que não tem autoridade no seu país".

Em Paris, o caricaturista sírio Ali Ferzat recebeu o Prêmio de Liberdade de Imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e do jornal Le Monde.

Por sua vez, o opositor histórico sírio Riad Turk pediu que o Hezbollah e o Irã parem de apoiar o regime Assad.