Começa em Caracas último dia da cúpula da Celac

O segundo e último dia da cúpula fundacional da Celac começou neste sábado, em Caracas, sem a presença das presidentes do Brasil e da Argentina, que partiram horas antes.

As presidentes Dilma Rouseff e Cristina Kirchner deixaram Caracas depois de assistirem à abertura, na tarde desta sexta-feira, junto com cerca de 20 chefes de Estado e de governo e representantes dos 33 países que formarão a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Durante a jornada, os líderes assinaram os documentos contidos na Declaração de Caracas e no Plano de Ação 2012, onde estão postas as bases desse bloco, que ainda não se definiu se será um fórum político ou terá uma estrutura que o equipare a outros organismos multilaterais, em particular a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Ao dar início à segunda jornada, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, para quem a cúpula é o primeiro encontro internacional desde junho, quando tornou público um câncer do qual garante ter sido curado, disse que a iniciativa é muito importante para a integração latino-americana.

"Temos ido a muitas cúpulas. Em boa parte delas, ficamos de nos ver no próximo ano, nos discursos e documentos. Neste caso, não podemos fazer isso, está proibido. Isso é muito importante", comentou, insistindo em que a Celac necessita de uma estrutura institucional.

Chávez informou também que a Venezuela, o Chile e Cuba, onde se realizarão as cúpulas de 2012 e 2013, respectivamente, formarão a "troika" que continuará o trabalho político para a constituição da Celac, um bloco regional que unirá todos os países americanos, à exceção de Estados Unidos e Canadá.

"A 'troika' tem que assumir imediatamente sua responsabilidade, e pode ter um grupo de apoio", explicou Chávez, um dos artífices da iniciativa, lançada na cúpula presidencial do México, em fevereiro do ano passado. "Que isso não nos trave", e que cada cúpula não se transforme em uma ocasião que sirva somente para fazer "bom turismo", pediu.

"Certamente, nos faz falta uma estrutura, não é pouca coisa que estamos pretendendo", insistiu Chávez, que se considera um continuador da ideia de unidade continental que o herói Simón Bolívar concebeu.

"Queria propor que façamos um pequeno esforço para que apontemos algo que acreditamos a que esta secretaria executiva deva dar prosseguimento", concordou o presidente panamenho, Ricardo Martinelli, que propôs seu país como sede dessa secretaria.

Na sexta-feira, o subsecretário do Brasil para a América Latina e o Caribe, José Antonio Simões, informou que os chanceleres, reunidos antes da cúpula, tinham concordado em que a Celac deveria ter apenas uma pequena estrutura, sem orçamento próprio ou uma secretaria permanente.

O Brasil, a economia mais poderosa da região, não tem pressa na formação desse bloco, o qual ainda vê com cautela. "Temos que deixar primeiro o organismo funcionar por algum tempo", comentou Simões.

Segundo Chávez, há unanimidade entre os líderes regionais sobre os documentos formulados pelos chanceleres, assim como em muitos outros temas políticos e econômicos, cujos detalhes serão conhecidos no fim do encontro. Mas até agora, não há acordo sobre o mecanismo de tomada de decisões, um ponto que deve ser debatido pelos presidentes este sábado, ou que ficará pendente para ser trabalhado na próxima reunião, em 2012, no Chile, que assumirá a presidência temporária. É discutido se o sistema para os acordos deve ser o consenso ou a votação de seus membros.

Durante a jornada deste sábado, também será realizada uma reunião do bloco energético Petrocaribe, a iniciativa encorajada pela Venezuela, maior produtora de petróleo da América do Sul, que estabelece um mecanismo de pagamentos preferenciais a seus membros.