Argentina anuncia novo corte de subsídios para reduzir gastos do governo

O governo argentino anunciou nesta quarta-feira (16) a segunda redução de subsídios aos serviços públicos desde a reeleição da presidenta Cristina Kirchner, no dia 23 de outubro. Desta vez, os cortes afetarão os consumidores de alta renda, além de empresas. Com a medida, o governo espera economizar 3,5 bilhões de pesos (R$ 1,4 bilhão).

A primeira queda dos subsídios, anunciada no dia 2, representou uma economia de 600 milhões de pesos (R$ 250 milhões). Economistas do setor privado já vinham avisando que o governo não poderia continuar subsidiando a eletricidade, o gás e o transporte, que beneficiavam tanto pobres como ricos. Desde 2005, os gastos em subsídios aos serviços públicos e em programas sociais aumentaram vinte vezes. E o governo, que tinha um superávit fiscal de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), enfrenta hoje um déficit.

Com o primeiro corte, o governo eliminou os subsídios à eletricidade e ao gás de empresas como bancos, financeiras e seguradoras, além de operadoras de telefonia celular, companhias de mineração e de petróleo, assim como cassinos, aeroportos internacionais e portos. Na ocasião, o ministro do Planejamento, Julio de Vido, garantiu que as tarifas não iriam aumentar com o fim da ajuda governamental e que o dinheiro economizado seria investido em obras de infraestrutura.

Em entrevista coletiva hoje, o ministro da Economia, Amado Boudou, anunciou a redução dos subsídios às empresas de combustíveis, de processamento de gás natural, de biocombustíveis, de azeites e de agroquímicos. O governo também deixará de subsidiar eletricidade e gás dos 232 mil moradores de Puerto Madero e Barrio Parque, dois bairros nobres de Buenos Aires, além de alguns bairros fechados da região metropolitana da capital portenha.

“Nenhuma das medidas que estamos tomando afeta as pequenas e médias empresas”, garantiu Boudou, eleito vice-presidente de Cristina Kirchner e que toma posse do cargo no dia 10 de dezembro. Economistas do setor privado consideram as medidas acertadas, mas criticaram o governo por ter esperado as eleições de 23 de outubro para começar a cortar gastos. Apesar de a economia argentina ter crescido, em media, 7% ao ano, nos últimos oito anos, a inflação é alta: mais de 20% ao ano, segundo as consultorias privadas e algumas províncias. É o dobro do índice oficial, 9%, que leva em consideração uma quantidade menor de produtos para medir o aumento dos preços da cesta básica.

Outro problema enfrentado pela Argentina é a fuga de capitais. O governo reforçou o controle do câmbio para evitar a evasão fiscal e, também, para dificultar a compra de dólares. Os argentinos têm o hábito histórico de poupar em dólares, que são mantidos fora do sistema financeiro local, muitas vezes guardados em casa ou em cofres nos bancos.