Cerca de mil detidos foram libertados nesta terça-feira na Síria, que viveu mais um dia de confrontos sangrentos, às vésperas de uma reunião da Liga Árabe para confirmar a suspensão do regime de Damasco, cada vez mais isolado.
De acordo com a televisão, "1.180 detidos, envolvidos nos eventos na Síria e que não têm sangue nas mãos, foram libertados hoje".
No dia 5 de novembro, as autoridades já haviam libertado em ocasião da celebração muçulmana do Al-Adha, 553 pessoas detidas na repressão.
Por outro lado, os militantes informaram sobre a libertação do opositor Kamal Labuani, condenado a 12 anos de prisão, "graças a uma anistia presidencial (...) que reduziu sua pena pela metade".
A libertação dos presos ocorre às vésperas de uma reunião árabe extraordinária em Rabat, no Marrocos, para confirmar a decisão de suspender a Síria da Liga Árabe, votada no dia 12 de novembro por 18 dos 22 membros da organização pan-árabe.
Mas as monarquias do Golfo descartaram nesta terça-feira a possibilidade de realizar outra cúpula da Liga Árabe sobre a Síria, como foi pedido por esse país após tomar conhecimento de sua suspensão.
A suspensão foi decidida para obrigar a Síria a aplicar um plano árabe que prevê, entre outros aspectos, a libertação dos manifestantes e a retirada das forças armadas das cidades.
Contudo, 19 militares e uma criança morreram em atos violentos nesta terça-feira na Síria, cujo regime parece cada vez mais isolado diante da repressão de uma revolta lançada há oito meses.
Em Homs, reduto da contestação popular, o hospital nacional recebeu 19 corpos, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que teme que os corpos sejam de sírios sequestrados durante os dois últimos dias por milicianos leais ao regime de Bashar al Assad.
As associações sírias de defesa dos direitos humanos e a ONU estimam em vários milhares o número pessoas presas durante a repressão à revolta iniciada no dia 15 de março. Mas de 3.500 pessoas foram mortas, segundo as Nações Unidas.
A segunda-feira foi uma das jornadas mais violentas desde o início da revolta popular contra o regime com mais de 70 mortos, entre civis e militares.