Irã enviará resposta à AIEA na segunda-feira (Davutoglu)

Agência AFP

ISTAMBUL - O Irã entregará na segunda-feira à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a sua resposta às questões relacionadas a sua proposta de solução para a crise nuclear iraniana, declarou neste domingo em Istambul o chefe da diplomacia turca Ahmet Davutoglu.

O anúncio foi feito durante um encontro entre os ministros das Relações Exteriores iraniano, Manuchehr Mottaki, brasileiro, Celso Amorim, e turco em Istambul, que ocorre pela primeira vez desde a votação do Conselho de Segurança da ONU, em 9 de junho, que impôs uma quarta série de sanções contra o Irã por sua rejeição em suspender suas atividades nucleares sensíveis.

"Mottaki nos disse que enviará uma carta na segunda-feira de manhã" a Yukiya Amano, diretor geral da AIEA, declarou Davutoglu durante uma entrevista coletiva à imprensa após o encontro tripartite.

A carta deve conter respostas às questões do Grupo de Viena (Estados Unidos, Rússia, França) em relação a uma proposta feita pelo Irã no dia 17 de maio às grandes potências, como parte de um acordo com Brasil e Turquia de trocar em território turco 1.200 kg de seu urânio levemente enriquecido (3,5%) por 120 kg de combustível enriquecido a 20%.

Ela deve também conter um pedido de abertura de negociações técnicas, indicou Davutoglu.

"O que importa é responder à carta do Grupo de Viena com um espírito positivo e pedir (...) a abertura de negociações técnicas", afirmou Davutoglu.

Antes do encontro, o chanceler brasileiro instou o governo iraniano a negociar com os ocidentais.

"O que temos dito a ambas as partes desde o princípio é que esta reunião (com o grupo 5+1) deve ser realizada o quanto antes possível, e que as ambas partes devem abordar todas as questões da forma mais transparente e aberta", disse Celso Amorim.

O Grupo de Viena respondeu à proposta iraniana em 9 de junho --algumas horas antes da votação pelo Conselho de Segurança da ONU de novas sanções contra o Irã--, exigindo esclarecimentos de diversos pontos.

Após a recusa do plano apresentado por Irã, Brasil e Turquia, as autoridades iranianas congelaram no dia 28 de junho por dois meses as negociações com as seis grandes potências envolvidas na questão nuclear iraniana (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha, chamados de "5+1").