Alemanha de luto por 19 mortos em tumulto na Love Parade

Agência AFP

DUISBURGO - A Alemanha estava de luto neste domingo pelas 19 pessoas que morreram pisoteadas no sábado (24) em um tumulto generalizado na Love Parade de Duisburgo (oeste), enquanto eram revelados testemunhos do horror em se transformou a grande festa de música eletrônica.

Além dos mortos, outras 340 pessoas ficaram feridas na festa, que reuniu 1,4 milhão de pessoas, segundo um novo registro divulgado neste domingo (25) pela polícia.

A polícia indicou que há estrangeiros entre as vítimas. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Itália, um dos mortos é italiano.

Segundo a imprensa espanhola, que cita "fontes diplomáticas", quatro estudantes espanhóis ficaram feridos e já receberam alta.

As autoridades seguiam investigando as causas do tumulto.

No momento, as principais questões estão centradas nas condições de segurança de um túnel de 200 metros de extensão e 30 de largura, que parecia ser o único acesso ao terreno de uma antiga estação de trens de carga, onde a festa foi realizada.

A imprensa destacou também que o terreno em que seria realizado o festival tinha apenas capacidade para cerca de 250.000 pessoas, quando o público foi quase seis vezes maior.

A polícia indicou que a confusão ocorreu dentro do túnel, mas uma autoridade da Prefeitura de Duisburgo disse que várias pessoas morreram em uma pequena escada lateral.

Os sobreviventes relataram cenas de terror.

"Vi pessoas mortas no túnel e outras pessoas vivas, mas inconscientes, espalhadas pelo chão. Algumas choravam", conta Anneke Kuypers, uma jovem neozelandesa de 18 anos que estuda na Bélgica.

A maior parte dos participantes não sabia nada do tumulto e continuou dançando. As autoridades também não divulgaram a notícia para evitar um novo movimento de pânico.

Um policial descreveu o drama como um "inferno".

"O ambiente era agressivo (...) as pessoas estavam descontroladas", contou o policial, que pediu para não ser identificado, ao jornal Spiegel.

Por parte do governo, a chanceler alemã Angela Merkel disse no sábado que estava "atônita", e o recém-eleito presidente Christian Wulff disse: "Esta catástrofe, que causou mortes, pesar e dor em um festival pacífico com pessoas jovens de muitos países, é horrível".

A tristeza causada pela tragédia logo se transformou em indignação. As pessoas que foram à festa criticaram os organizadores por terem feito do túnel o único ponto de acesso para o festival.

"Parece que os organizadores não pensaram no acesso, que era muito estreito", disse Taggart Bowen-Gaddy, um americano de 20 anos que estuda na cidade francesa de Metz (leste).

"Não houve planejamento, ninguém sabia o que acontecia", acrescentou.

A revista Focus citou o fundador da Love Parade, que atende pelo nome de Dr. Motte, dizendo: "Os organizadores têm a culpa (...) não demonstraram a menor responsabilidade".

O influente diário popular Bild se perguntava em seu site: Por que a polícia permitiu que as pessoas continuassem a festa?".

O prefeito de Duisburgo, Adolf Sauerland, prometeu uma investigação exaustiva.

"Antes do evento, elaboramos um sólido plano de segurança com os organizadores e todas as autoridades", assegurou.

"As investigações já iniciadas devem revelar o que aconteceu exatamente", acrescentou.