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Japão: ministro das Finanças é o mais cotado para cadeira de premier

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Jornal do Brasil

TÓQUIO - O mais cotado para ocupar a cadeira de Yukio Hatoyama, primeiro-ministro do Japão que renunciou ao cargo na terça-feira, é o atual ministro das Finanças, Naoto Kan, que já tinha ficado conhecido por enfrenta a burocracia quando assumiu o Ministério da Saúde. Nas Finanças, se revelou conservador e crítico ao Banco Central.

A turbulência política pode atrasar os esforços para decidir os planos que seriam anunciados neste mês para cortar a dívida pública do país, que está atualmente em cerca de 200% do PIB, e a estratégia para planejar o crescimento econômico em uma sociedade que está envelhecendo.

Mas se, como muitos esperam, o ministro das Finanças, Naoto Kan, um conservador no âmbito fiscal, assumir a direção, isso poderia aumentar as chances de medidas mais ousadas para conter a dívida, inclusive uma promessa de considerar um aumento no imposto sobre vendas, atualmente em 5%.

O governo americano assegurou quarta-feira que manterá a colaboração com o Japão mesmo após a renúncia de Hatoyama.

Em declarações à imprensa a bordo do avião Air Force One, que levava o presidente Barack Obama a Pittsburgh, o porta-voz da Casa Branca Bill Burton disse que a aliança entre EUA e Japão não vai mudar por qualquer alteração na liderança do país.

Vamos ver como o processo político corre seu curso e esperaremos, como todos os demais, para ver quem é o próximo primeiro-ministro declarou Burton.

Hatoyama anunciou na terça-feira sua renúncia, alegando ter perdido a confiança do povo pela decisão de manter uma polêmica base militar dos Estados Unidos na ilha de Okinawa, no sul do Japão.

Após oito meses à frente do país, Hatoyama alcançou índices de popularidade abaixo dos 20%. Em reunião com os principais dirigentes do Partido Democrata do Japão (PDJ), Hatoyama também pediu a demissão de Ichiro Ozawa, secretário-geral do partido que está envolvido com a justiça por um financiamento suspeito.

Herdeiro de uma rica dinastia político-industrial, comparada aos Kennedy, Hatoyama ganhou as eleições legislativas de agosto passado, que puseram fim a mais de meio século de domínio conservador, e era primeiro-ministro desde 16 de setembro.

Graças ao dinamismo chinês e às medidas adotadas pelo governo conservador anterior, o Japão conseguiu sair da recessão em 2008 e 2009, mas continua carecendo de um projeto econômico e se encontra debilitado pela deflação, segundo analistas.

Por ter acompanhado de perto a crise grega, o atual titular das Finanças, Naoto KanKan, está entre os ministros mais empenhados em realizar um plano fiscal de longo prazo para o Estado.