Lula e Sarkozy discutirão termos do acordo nuclear com o Irã

Agência Brasil

DA REDAÇÃO - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, Nicolas Sarkozy, da França, devem se reunir na terça-feira, em Madri, na Espanha, para discutir os termos do acordo firmado nesta segunda-feira para que o Irã remeta o urânio levemente enriquecido, a 3%, para a Turquia, e receba de volta o produto enriquecido a 20%.

Ao fechar o acordo nesta manhã, Lula conversou rapidamente, por telefone, com Sarkozy. Na semana passada, o francês havia elogiado o empenho do brasileiro nas negociações.

A França, os Estados Unidos, a Inglaterra, a China e a Rússia são membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O órgão tem sido alvo de pressão do governo do presidente norte-americano, Barack Obama, para aprovar sanções contra o Irã. A adoção de sanções depende do voto favorável de todos os integrantes do conselho.

Para os norte-americanos, o programa nuclear do Irã esconde a produção de armas atômicas. No entanto, Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sinalizaram hoje que, pelo acordo firmado em Teerã, será possível encerrar o impasse em torno do programa nuclear iraniano.

O Brasil e a Rússia defendem a busca pelo diálogo com o Irã como meio de evitar a fixação de sanções contra o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. No passado, o Irã foi alvo de três resoluções no Conselho de Segurança. A Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) reclama que seus inspetores não podem realizar fiscalizações em usinas iranianas. Ahmadinejad nega as acusações.

Pelo acordo firmado hoje, o presidente iraniano se compromete a procurar o diálogo com os membros permanentes do Conselho de Segurança e informar, em detalhes para a Aiea, o documento definido em Teerã com o apoio do Brasil e da Turquia. Para aprovar os termos do acordo, é necessário que as Nações Unidas, via conselho, e a agência de energia atômica concordem com as definições.

Os dois órgãos deverão analisar a execução das medidas, o que não há prazo para ocorrer. Pelo acordo, Ahmadinejad tem apenas uma semana para prestar esclarecimentos à Aiea. Outros detalhes sobre o acordo que prevê a troca de urânio a 3% pelo produto com 20% de enriquecimento serão definidos em conversas entre o governo do Irã e os integrantes do chamado Grupo de Viena - Estados Unidos, Rússia, França e a própria Aiea.