Agência AFP
MADRI - O chanceler brasileiro, Celso Amorim, negou nesta segunda-feira que o acordo firmado pelo Irã para trocar seu combustível nuclear está comprometido pelo anúncio da República Islâmica de que pretende seguir enriquecendo urânio a 20%.
O acordo prevê que o Irã envie a Turquia 1.200 quilos de seu urânio levemente enriquecido (a 3,5%) para ser trocado, no prazo de um ano, por 120 quilos de combustível altamente enriquecido (a 20%), necessário para o reator experimental de Teerã.
Após a divulgação do acordo, um porta-voz iraniano disse que seu país seguirá enriquecendo urânio a 20% "em seu território", o que põe em dúvida o objetivo puramente civil do programa nuclear de Teerã.
Mas Amorim afirmou que tal declaração "não foi um balde de água fria" e que é preciso entender que "na realidade, cada um tem seu público interno", em referência aos setores mais radicais do Irã.
Segundo Amorim, que concedeu uma teleconferencia da base aérea de Torrejón, em Madri, antes de partir para o Brasil, "se você criar confiança, haverá as condições para se discutir essa questão" do enriquecimento a 20%.
A chanceler brasileiro destacou que até o monento o Irã não conseguiu enriquecer uma "quantidade expressiva" de urânio a 20%.
Amorim revelou que tanto o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, como ele mantiveram durante esta segunda-feira contínuas discussões com os dirigentes de todo o mundo, para explicar o acordo que, se for aplicado, deterá as sanções defendidas pelas potências ocidentais contra o Irã.
Lula está em Madri para participar na terça-feira da Cúpula Europa-América Latina.