Agência ANSA
BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, presidirá amanhã, na região do Canal de Beagle, um ato em memória do 28º aniversário do início da Guerra das Malvinas (Falkland), travada contra o Reino Unido em 1982.
Cristina viajará ao sul do país acompanhada de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. Também estará presente a ministra da Defesa, Nilda Garré, e a governadora da província da Terra do Fogo, Faniana Rios.
Vitorioso no conflito bélico, o Reino Unido manteve a posse das Ilhas Malvinas. Até hoje, no entanto, a soberania do local é reivindicada pela Argentina. Em virtude de uma lei sancionada pelo Congresso do país sul-americano, as ilhas passaram a integrar a jurisdição da província da Terra do Fogo.
No ato de amanhã, a governadora local entregará aos veteranos de guerra uma bandeira de nove metros de comprimento por seis de largura confeccionada com um material especial.
A celebração em honra dos heróis argentinos da guerra terá início com o Festival Internacional de Ushuaia, durante o qual músicos e artistas se apresentarão em um palco montado às margens do Canal de Beagle, próximo ao Monumento Nacional Malvinas Argentinas.
Simultaneamente, organizações sociais se mobilizarão em frente à Embaixada do Reino Unido em Buenos Aires para expressar seu repúdio à ocupação do arquipélago.
A Central de Movimentos Populares, liderada por Luis D'Elia, aliado do governo, fará uma passeata de dois quilômetros até a sede diplomática. Além de homenagear os soldados argentinos mortos na guerra, a instituição expressará sua indignação com os novos episódios que reacenderam a discussão em torno das Malvinas.
Recentemente, o governo britânico anunciou a intenção de empresas do país em prospectar petróleo nas águas próximas ao arquipélago. Dias depois, uma delas, a Desire, iniciou os trabalhos de verificação das reservas, o que causou a indignação do governo argentino.
Buenos Aires recorreu à ONU para que Londres respeitasse a resolução da entidade que determina que as duas nações devem entrar em um acordo sobre operações na região. Nesta semana, no entanto, a petroleira informou que o combustível fóssil encontrado no local é de má qualidade.
A organização liderada por D'Elia classificou o episódio como uma "nova tentativa neocolonial" do Reino Unido. As jazidas de petróleo, segundo ele, "são indubitáveis patrimônios da nação argentina".
"Não devemos nos esquecer de que a Guerra das Malvinas causou a terrível perda de 649 vidas. Oficiais, suboficiais e jovens de 18 anos que cumpriam o serviço militar obrigatório na época", lembrou o líder da instituição.
Em referência a uma recente visita ao país europeu feita por parlamentares argentinos críticos ao governo, D'Elia ressaltou que "enquanto legisladores da oposição visitam a Chancelaria Britânica, nós nos mobilizamos [em frente] à embaixada pirata".