Agência AFP
TBILISI - O presidente de uma rede de televisão georgiana defendeu o programa de seu canal que causou pânico na Geórgia ao divulgar uma falsa reportagem sobre uma invasão russa ao país e descartou uma punição contra seus autores, indicou nesta segunda-feira a imprensa local.
Guiorgui Arveladze, dono do canal, pediu desculpas pelo "choque" provocado pela divulgação da falsa reportagem, alegando que "seu objetivo não era assustar as pessoas".
- O objetivo era falar das ameaças a sua segurança que nosso país enfrenta - disse Arveladze, citado pelo site de notícias www.civil.ge.
- Nosso objetivo era mencionar abertamente o plano preparado por Moscou com todos os seus detalhes dolorosos - acrescentou.
A rede de televisão privada Imedi anunciou no sábado à noite que tanques russos avançavam em direção Tbilisi e que o presidente Mikhail Saakashvili tinha morrido. Imagens da guerra de 2008 entre russos e georgianos pelo controle da Ossétia do Sul foram divulgadas como se fossem transmitidas ao vivo.
De acordo com a imprensa local, a falsa notícia desencadeou um número recorde de telefonemas para os serviços de emergência, provocando diversos problemas cardíacos e crises nervosas.
Uma breve advertência antes da divulgação do programa indicava que tudo era uma "simulação", mas a reportagem não continha menção alguma de seu caráter fictício.
Averladze considerou que os telespectadores deveriam ter compreendido que não se tratava de uma situação real, e descartou qualquer ideia de punição contra os responsáveis pelo programa.
- Não planejo mudanças de funcionários ou demissões - disse.
O embaixador dos Estados Unidos na Geórgia, John Bass, criticou energicamente a divulgação da reportagem falsa. - Na minha opinião, é algo irresponsável. Isso não tem relação alguma com o que consideramos as normas do jornalismo profissional -disse Bass, citado pela imprensa.