Agência AFP
ROMA - As autoridades italianas anunciaram nesta segunda-feira a detenção de 19 pessoas ligadas a Matteo Messina Denaro, novo chefe da temida Cosa Nostra, a máfia siciliana, que administra clandestinamente as atividades da poderosa organização criminosa.
- Está se fechando o círculo ao maior chefe da máfia e estou convencido de que será detido em breve - comentou o ministro do Interior, Roberto Maroni.
Os detidos foram acusados de associação mafiosa, de transferência ilegal de bens e valores e de extorsão, indicou a mesma fonte.
Durante a operação, chamada Golem 2, foram efetuadas 40 detenções em várias cidades de Sicília (sul), entre elas Trapani, Palermo e Caltanisetta, assim como nas cidades do norte da península, como Milão, Turim, Imperia, Luca e Siena.
A Polícia pôs fim a várias atividades comerciais e fechou empresas dirigidas por testas-de-ferro da Cosa Nostra.
De acordo com os investigadores, o chefão da organização, Messina Denaro, empregava homens de confiança através dos quais se informava sobre os negócios da organização e comunicava suas decisões.
Era um verdadeiro "serviço de correio" especial, segundo os investigadores, que detiveram o irmão do chefão Salvatore Messina Denaro e vários antigos chefes da Cosa Nostra, que depois de cumprirem suas condenações e deixarem a prisão, voltaram a prestar serviço para a organização criminosa.
O novo chefe utilizava o mesmo método que seu antecessor, Bernardo Provenzano, "chefe de todos os chefes", detido em abril de 2006 depois de ter passado mais de 40 anos foragido, e que enviava os conhecidos "pizzini", pequenos bilhetes com os quais dava suas ordens em toda a Sicília.
Graças a esses bilhetes e a escutas telefônicas, os investigadores descobriram o poder que a Cosa Nostra ainda possui para ordenar matanças, lançar ameaças, controlar tráficos e pedir extorsões.
Entre os detidos está um ex-chefão da máfia, de 80 anos, Antonino Marotta, chamado de "decano" da máfia de Trapano.