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Sexta, 29 de agosto de 2025

Ataques com carros-bomba destroem hotéis em Bagdá

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Jornal do Brasil

BAGDÁ - Três ataques coordenados com carros-bomba em Bagdá atingiram hotéis frequentados por turistas ocidentais segunda-feira, matando pelo menos 36 pessoas e ferindo 80, segundo autoridades iraquianas.

A primeira explosão ocorreu perto da entrada do hotel Ishtar Sheraton, um marco de Bagdá no lado oriental do rio Tigre. O choque da explosão destruiu portas, despedaçou janelas e provocou uma nuvem espessa de poeira. Os altos muros de concreto que protegiam contra explosões o hotel situado na avenida Abu Nawas, a beira-rio, tombaram como dominós. A explosão ocorreu diante de um parque frequentado por famílias e pessoas que faziam piqueniques.

O prédio abriga principalmente escritórios de empresas e algumas organizações de mídia, mas alguns grupos internacionais de turismo de aventura tinham começado a usá-lo como hotel no ano passado.

A jornalista iraquiana Zina Tareq, que estava em seu escritório no momento da explosão, contou que escondeu-se debaixo de uma mesa, com a filha de 5 anos de uma colega.

Ouvimos um ruído ensurdecedor. O teto desabou sobre nós, e as janelas se despedaçaram contou.

Outra explosão aconteceu diante do hotel al-Hamra, que desde a invasão americana de 2003 é muito frequentado por jornalistas ocidentais. Um repórter ocidental disse que o prédio sofreu grandes danos. O jornal Washington Post informou que três de seus funcionários iraquianos ficaram feridos.

Cratera

Casas desabaram perto do hotel Hamra, e a defesa civil procurava sobreviventes. A explosão no Hamra abriu uma cratera gigantesca na calçada, como aconteceu com a explosão no Sheraton.

Uma última bomba parece ter sido detonada perto do hotel Babylon, usado por viajantes iraquianos e ocasionalmente em reuniões governamentais.

A área em volta do hotel já foi atingida várias vezes no último ano por disparos de foguetes e morteiros cujo alvo seria a embaixada dos EUA, situada do outro lado do rio na fortemente guardada Zona Verde.

O último grande ataque em Bagdá tinha acontecido em 8 de dezembro, quando uma série de explosões de carros-bomba matou mais de 100 pessoas. Em 25 de outubro e 19 de agosto, 250 pessoas ao todo morreram em ataques suicidas contra prédios governamentais.

Ali Químico, primo impiedoso de Saddam, é executado na forca

O Iraque executou segunda-feira, por enforcamento, Ali Hassan al-Majeed, um dos personagens mais cruéis do governo de Saddam Hussein. Primo e capanga do ex-ditador, al-Majeed ficou conhecido pelo apelido de Ali Químico devido ao uso que fazia de gases tóxicos para torturar e matar adversários de Saddam. Muitos iraquianos o temiam mais que ao próprio líder, com quem tinha notórias semelhanças físicas.

Majeed tinha recebido quatro condenações à morte por crimes contra a humanidade, a última das quais há uma semana, por um ataque contra a cidade iraquiana de Halabja no qual cerca de 5 mil curdos foram assassinados em 1988.

O porta-voz do governo iraquiano, Ali al-Dabbag afirmou que Majeed não foi submetido a abusos durante sua execução, diferentemente dos insultos lançados contra o próprio ditador sunita Saddam Hussein por xiitas iraquianos que observaram seu enforcamento, em dezembro de 2006.

Todos respeitaram as instruções do governo, e o condenado não foi submetido a qualquer infração, a palavras de ordem, palavras de abuso ou insultos disse Dabbag

Não ficou claro se Majeed foi enforcado antes ou depois da série de explosões suicidas coordenadas próximas a hoteis conhecidos de Bagdá, nas quais morreram mais de 30 pessoas.

Majeed foi capturado em agosto de 2003, cinco meses depois de as forças americanas terem invadido o Iraque e derrubado Saddam. Foi condenado à forca em junho de 2007 por sua atuação em uma campanha militar contra curdos étnicos. Conhecida pelo codinome Anfal, a campanha durou de fevereiro a agosto de 1988.