"Tensões entre Brasil e Bolívia foram superadas", diz assessor

Agência Brasil

BRASÍLIA - As tensões entre Brasil e Bolívia por causa das negociações sobre a venda de gás e derivados estão superadas neste segundo mandato do presidente boliviano, Evo Morales, disse hoje (22) o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. De acordo com ele, os incidentes que provocaram ameaças de invasão às refinarias da Petrobras em território boliviano não têm chances de se repetir.

"Não existem mais tensões. Todas elas foram superadas. Agora o que temos para frente é um cenário de ampliação nas relações bilaterais do Brasil com a Bolívia. É isso que há e que eu percebi nas conversas que mantive aqui em La Paz, capital administrativa da Bolívia ", afirmou Garcia.

O assessor da Presidência representou o governo do Brasil na cerimônia da segunda posse do presidente da Bolívia, Evo Morales, nesta sexta-feira, em La Paz. Ele acompanhou a solenidade especial realizada hoje e a de ontem (21), na qual Morales foi consagrado líder espiritual dos bolivianos em uma cerimônia indígena.

Garcia também se reuniu com autoridades bolivianas. Nas conversas com o vice-presidente do país, Álvaro García, e com o comando da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), o assessor afirmou ter recebido informações de que há disposição para a ampliação da parceria sobre o polo petroquímico e gasodutos. "As perspectivas são as melhores possíveis."

Em dezembro de 2009, os governos do Brasil e da Bolívia assinaram um acordo que garante um ganho adicional de cerca de US$ 1,2 bilhão até 2019 para os bolivianos. Pelo tratado, o Brasil se compromete a pagar mais pelas frações líquidas do gás boliviano propano, butano e gasolina líquida.

Porém, recentemente Morales cobrou das cinco refinarias estrangeiras em atuação na Bolívia, incluindo a Petrobras, que aumentem as pesquisas de exploração em campos de gás e petróleo.

Em 2006, Morales chegou a falar em privatizar refinarias da Petrobras localizadas em território boliviano. A ameaça não se concretizou porque a Petrobras se comprometeu a aumentar o preço dos produtos comprados dos bolivianos.