Morales promete refundar a Bolívia

Jornal do Brasil

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, tomou posse sexta-feira para um segundo mandato, até 2015, em cerimônia realizada na sede da Assembleia Legislativa, agora denominada Plurinacional.

Morales recebeu das mãos do vice-presidente da boliviano, Alvaro García, os símbolos pátrios: um medalhão e a faixa presidencial que, pela primeira vez, desde 1825, apresenta junto ao escudo nacional uma bandeira whipala, símbolo dos povos indígenas.

Participaram da cerimônia os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai), além de Michele Bachellet (Chile).

O governante de origem aymara receberá um poder quase ilimitado para criar um novo Estado socialista, em substituição a um Estado colonial que vai embora . Em seu duiscurso, o presidente anunciou que avançará para a refundação da Bolívia .

Desafios

Para a próxima etapa de governo, Morales tem de enfrentar alguns desafios, com 27,7% da população na faixa de pobreza e 10,2% de desempregados. Outro problema na Bolívia é a ausência de infraestrutura de saneamento básico como rede de esgotos, de água tratada e viária. Nem as principais cidades do país escapam dessas dificuldades, como La Paz, Santa Cruz de La Sierra e Cochabamba.

Sexta-feira, o presidente reeleito foi submetido a um ritual de limpeza , numa cerimônia típica dos povos indígenas pré-incas. Para eles, as energias dos ancestrais devem ser atraídas como garantia para Morales de sabedoria, êxito e prosperidade. O local escolhido foi um dos cartões postais da Bolívia - as ruínas de Tiwanaku a 75 quilômetros de La Paz.

Depois de promover mudanças na legislação eleitoral, Morales foi reeleito em dezembro com 64% dos votos. O próximo desafio dele é garantir maioria nas eleições regionais. Em 4 de abril, os bolivianos vão às urnas para a escolha de nove governadores, 234 deputados estaduais, 327 prefeitos e 1.700 conselheiros municipais.