Jornal do Brasil
PORTO PRÍNCIPE - Dinheiro tornou-se disponível e ônibus começaram a circular na capital do Haiti, entupida de entulhos, sexta-feira. Mas ainda não há comida suficiente para alimentar os sobreviventes do terremoto.
Os bancos estavam programados para reabrir hoje. Enquanto isso, agências de transferência de dinheiro fizeram negócios rápidos. Centenas de pessoas acotovelaram-se por um lugar do lado de fora de um escritório de transferência.
Eu quero retirar a quantia mandada pela minha família do Canadá. São US$ 500, mas é difícil. Há sempre tanta gente diz o homem de negócios Aslyn Denis, 31, aguardando por um bom tempo.
Havia sinais de retomada à vida diária. Taptaps, os pequenos ônibus haitianos decorados com cores vivas, começaram a circular em Porto Príncipe, compartilhando ruas com aqueles que mudavam de terra e escavando máquinas que limpavam os escombros.
Supermercado abre
O Programa Alimentar Mundial distribuiu 1,2 milhão de pacotes de comida para hospitais e orfanatos na quinta-feira e espera entregar 10 milhões na próxima semana.
Um enorme supermercado, Big Star Market, reabriu no subúrbio de Petionville sexta-feira vendendo tudo, de fatias grossas de presunto e carne de bode até chocolates do dia de São Valentino. A gerente da loja diz que havia apenas estoques para uma semana ou duas e não recebeu entregas.
É difícil porque todo mundo fica nervoso de estar dentro dele, as pessoas podem pagar apenas em dinheiro ou cheque, não é fácil conta.
Haitianos entendem que pode levar meses ou anos para recuperar a normalidade.
Nós querermos que isso acabe, mas ainda não acabou, as coisas estão ruins afirma Jeanette, arquiteta de 53 anos que estava no mercado. Perdi meu escritório e um ano inteiro de trabalho. Não temos estabilidade e direção alguma, fomos abandonados à própria sorte. Estamos vivendo um dia de cada vez.
As Nações Unidas contaram 450 acampamentos sem-terra somente em Porto Príncipe e o governo foi encorajado a consolidá-los para organizar a distribuição de comida.
O governo do Haiti planejou transferir 400 mil sobreviventes de Porto Príncipe para novas vilas que serão construídas fora da cidade costeira destruída, onde os sem-tetos aconchegam-se, cozinham e dormem no meio de cadáveres deteriorados e um amontoado de lixo.
Com agências