Haiti: Rádio vira ítem de primeira necessidade

Joana Duarte, Jornal do Brasil

RIO - O terremoto da semana passada pode ter destruído a já precária infraestrutura do governo haitiano, mas não silenciou todas as rádios do país, o meio de comunicação mais importante do Haiti, onde 47,1% dos habitantes são analfabetos. Depois do sismo, são as emissoras de rádio que procuram pôr ordem na sociedade, transmitindo informações sobre onde há comida, vagas em hospitais, novos campos de refugiados ou até mesmo apelos de sobreviventes que procuram seus familiares. A iniciativa é válida, mas é preciso providenciar novos rádios para os haitianos, já que, na grande maioria dos casos, os sobreviventes não conseguiram salvar seus velhos aparelhos.

É uma situação absurda desabafou Benoit Hervieu, porta-voz da ONG Repórteres sem Fronteiras (MSF). É muito bom promover a reconstrução das emissoras locais, mas onde está o público para escutar a programação? Precisamos providenciar aparelhos de rádio para a população o mais rápido possível.

Segundo Hervieu, Porto Príncipe tinha mais de 50 emissoras legais de rádio antes do terremoto. Entre elas, duas rádios privadas conseguiram resgatar suas antenas intactas a Rádio Caribe e a Signal FM. O prédio da Signal FM sobreviveu ao tremor e ainda funciona como estúdio. Já a Rádio Caribe perdeu sua sede e teve que improvisar: alugou um velho jipe, microfones, dois computadores portáteis, e montou seu equipamento na rua, em frente aos escombros da velha rádio, de onde passou a transmitir a programação diária. E lá permanecem, na Rue Chavanne, sempre rodeados por uma multidão de curiosos ouvintes, segundo testemunhas.

Além dessas duas rádios que resistiram ao terremoto, outras 20 emissoras já foram recuperadas e estão conseguindo fazer a difusão normalmente, contou Hervieu. Como a internet também segue funcionando, muitas rádios também começaram a usar a internet para fazer a difusão, acrescentou.

Segundo a MSF, a programação das rádios haitianas está servindo mais para informar haitianos no exterior , principalmente no Canadá e EUA, sobre o paradeiro de seus familiares, as operações de resgate, distribuição de ajuda e os planos para a futura reconstrução do país.

A Rádio ONU também voltou a operar nessa quarta-feira, com assistência técnica da Radio França Internacional. Sua programação visa facilitar as operações das ONGs humanitárias alertando sobre necessidades específicas das regiões do país atingidas pelo terremoto.