Haiti: a terra que não para de tremer

Joana Duarte, Jornal do Brasil

PORTO PRÍNCIPE - Um novo terremoto, de 5,9 graus na escala Richter, voltou a sacudir o Haiti quarta-feira, às 6h03 locais (9h03 de Brasília), fazendo o chão tremer e provocando pânico entre milhares de pessoas que acampam nas ruas do país. A nova réplica (tremor secundário) foi a mais forte das registradas desde o terremoto de 7,3 graus que deixou Porto Príncipe em ruínas na semana passada, dia 12. Não houve relatos de novas mortes, mas prédios já abalados pelo primeiro tremor ruíram, segundo testemunhas.

O Serviço Geológico dos EUA localizou o epicentro da réplica 60 quilômetros a oeste-sudeste da capital e a uma profundidade de 9,9 km. Não houve alerta de tsunâmi.

Foi muito forte. Cada novo tremor é assustador (...). Depois da terça-feira da semana passada, nunca sabemos quão forte será disse à Reuters Lenis Batiste, cidadão haitiano que acampava com duas crianças.

O novo tremor de terra não surpreendeu os sismólogos. Uma série de abalos secundários é comum depois de um grande terremoto. Mais tremores podem voltar a ocorrer na região durante as próximas semanas, meses ou até mesmo anos. As informações são do Serviço Geológico dos EUA (USGS).

Abalos secundários não são surpreendentes, muito menos inesperados. Sempre que há terremotos rasos, como o que ocorreu no Haiti, observamos uma série de repetições, normalmente em menor escala, à medida que a crosta da Terra volta a se estabilizar e a se acomodar explicou John Bellini, porta-voz do USGS.

Foram registrados até agora 49 abalos acima de 4,5 graus desde o terremoto da semana passada, de acordo com dados do USGS. Embora Bellini não descarte a possibilidade de tremores mais fortes ou mesmo equivalentes ao de 7,3 graus na escala Richter, que destruiu Porto Príncipe, a tendência é que eles diminuam em intensidade.

O professor Lucas Barros, sismólogo da Universidade de Brasília, explica que o Haiti é suscetível a tremores por estar numa região entre placas, caracterizada por uma extensa falha geológica. A energia liberada pelo tremor dessa magnitude pode acionar outro segmento da falha ou até mesmo falhas vizinhas, podendo gerar abalos em outras regiões do Caribe ou até mesmo da América Central.

Quando uma placa se movimenta, pequenas rupturas podem acontecer ao longo da mesma falha, que continua se movimentando. Todo o esforço concentrado neste ponto durante muitos anos passa a ser liberado em frações, podendo gerar uma família de sismos menores.

Média anual

O USGS estima que milhões de terremotos ocorrem em todo o mundo a cada ano, embora a grande maioria não seja detectada porque atinge áreas remotas ou tem magnitudes muito pequenas.

O USGS identifica cerca de 40 terremotos de magnitude acima de 4,5 por dia, 14.500 por ano. Em média, cerca de 17 terremotos têm magnitude acima de 7,0 graus anualmente. Em 2009, abalos sísmicos mataram 1.783 pessoas em 15 países espalhados por quatro continentes.