EUA: reforma da saúde entra na UTI

Jornal do Brasil

WASHINGTON - Barack Obama não teve muitos motivos para comemorar quarta-feira seu primeiro ano de mandato como presidente dos Estados Unidos. Ao contrário do alegre 20 de janeiro que marcou sua posse em 2009, o dia teve sabor amargo, depois que o republicano Scott Brown venceu a eleição para o Senado no estado de Massachusetts, desequilibrando, em favor de seu partido, o jogo político no Congresso. No seu discurso de vitória, Brown tratou de ser claro, dizendo que será o 41º voto contrário à reforma do sistema de saúde americano no Senado, que tem 100 membros. Para o projeto de Obama ser aprovado, são necessários 60 votos.

As pessoas não querem esse plano de saúde de trilhões de dólares colocado à força para os americanos disse Brown.

No início da campanha encerrada com a eleição de quarta-feira, a vaga deixada pelo senador Edward Kennedy morto recentemente e defensor da reforma na saúde parecia ter destino certo: a também democrata Martha Coakley. Mas as últimas semanas mostraram o avanço de Scott Brown, segundo analistas, por fatores relacionados à economia americana, à agenda de Obama e à própria reforma da saúde.

Alfinetada

Ainda sobre a reforma, Brown afirmou que o povo rejeita os acordos a portas fechadas que estão direcionando o debate , e aproveitou para alfinetar os especialistas e democratas que apostavam em sua derrota:

Eles achavam que eram donos da vaga, que não podiam perder.

Brown conquistou a surpreendente vitória com 52% dos votos em Massachusetts, um Estado geralmente democrata, e abriu a possibilidade para que outras derrotas atinjam os partidários de Obama em todo o país nas eleições parlamentares de novembro.

Num comunicado, o porta-voz da Presidência Robert Gibbs disse que Obama ligou para Brown e o parabenizou:

O presidente disse ao senador Brown que está ansioso para trabalhar com ele em desafios econômicos urgentes enfrentados pelas famílias de Massachusetts e famílias de toda a nação , disse Gibbs.