Grupo de 130 militares lotados em MG embarca para o Haiti

Portal Terra

BELO HORIZONTE - Cento e trinta militares do Exército, lotados em batalhões de Minas Gerais, embarcam ainda nesta terça-feira para o Haiti, onde vão integrar a missão de paz da ONU criada em 2004 e participar da reconstrução da capital do país, Porto Príncipe, destruída por um terremoto no último dia 12.

O grupo já havia partido rumo ao Haiti no dia do terremoto, mas o avião que saiu do Rio de Janeiro retornou ao Brasil porque o espaço aéreo haitiano estava fechado após a tragédia. Depois de reabastecer na República Dominicana, a aeronave pousou em Boa Vista, capital de Roraima, e em seguida os militares seguiram para os seus estados.

O Exército informou que o efetivo é composto por militares dos municípios de São João Del Rey, Santos Dumont, Juiz de Fora e Belo Horizonte. O avião que levará a tropa sairá do Rio de Janeiro e fará uma escala em Boa Vista.

Na capital mineira, o embarque de 19 praças aconteceu no 12º Batalhão de Infantaria, no bairro Barro Preto, região central de BH. O grupo se deslocará de ônibus até a capital fluminense.

Os boinas azuis, como são conhecidos, ficarão seis meses no Haiti. Tempo mais que suficiente para que os soldados e oficiais vençam o medo e a preocupação de seguir viagem para um país destruído e instável política e economicamente. - O sentimento agora se mistura. Logicamente a gente deixou os familiares em casa preocupados, mas, ao mesmo tempo, vem o sentimento de ajuda e de saber que nós podemos dar parcela de contribuição pro haitiano que no momento está necessitando. Então, é orgulho e saudade no momento que bate - disse o cabo Rogério Carneiro.

O irmão de Carneiro, Fabio Viana Carneiro, afirmou ser difícil para a família acreditar que ele está indo para um local devastado. - É complicado. Um sentimento de amor muito grande, de zelo pela vida dele, mas da mesma forma que a gente quer cuidar dele, espero que ele também leve esse mesmo sentimento para lá e possa cuidar, ajudar as pessoas e cumprir a missão à qual foi designado. Espero que ele a cumpra com excelência - disse.

Apesar da incerteza do futuro no país caribenho, o sargento Moacir Antonio Alves Junior afirmou que a vontade de ajudar ao povo haitiano é grande. - É a expectativa e a vontade de chegar logo para poder ajudar. Nós chegamos a sobrevoar o espaço aéreo da Haiti e tivemos que retornar devido à catástrofe. Esse atraso na viagem somente aumentou a nossa vontade de poder ajudar a população - disse.

- Vamos ter que ajudar a reconstruir aquele país - disse um colega de farda, sargento Teodoro Douglas da Cruz. A noiva de Teodoro, Priscila Consuelo Campos dos Santos, disse que a apreensão e a saudade já tomaram conta da família, mas que o objetivo da missão compensa a distância e o perigo. - Eu estou feliz e estou triste. Feliz e orgulhosa dele estar indo para uma missão agora mais especial ainda depois do que aconteceu, mas saudade não tem como. Dói muito sentir muita falta, é muito tempo. Só peço a Deus para passar rápido para ele cumprir realmente a missão dele lá e voltar bem, é a única coisa que eu quero - afirmou.

O tenente-coronel João Marcos Machado disse que a ida dos militares mineiros e até de outros estados para o Haiti irá ajudar o trabalho das tropas que já trabalham naquele país. - Mais que solidária, é uma missão humanitária e que necessita também da presença da nossa tropa, da presença do soldado brasileiro naquela região, não só para trazer segurança às equipes de resgates - disse.