Agência ANSA
ROMA - Ao receber nesta segunda-feira uma delegação da Igreja Luterana finlandesa, o papa Bento XVI afirmou que desde o Concílio Vaticano II a Santa Sé se empenha "com todo o coração" pela unidade dos cristãos.
Hoje, o Pontífice abre a tradicional semana para o diálogo entre os cristãos. No discurso feito aos líderes luteranos, Bento XVI ressaltou que os problemas do passado devem ser um motivo para "estimular um esforço em direção a uma maior compreensão recíproca e à reconciliação".
As mudanças da Igreja Católica no que se refere ao diálogo com outras religiões e denominações cristãs também foram elogiadas ontem pelo rabino-chefe da Sinagoga de Roma, Riccardo Di Segni, que recebeu Bento XVI no templo judaico.
- A nós interessa que não se volte atrás nas decisões do Concílio e, sobre isso, me parece que haja sintonia - destacou Di Segni, acrescentando que o resultado da ida do Pontífice à sinagoga foi "decisivamente positivo".
Hoje, a visita de Bento XVI também foi elogiada pelo prefeito da capital italiana, Gianni Alemanno. - A visita do papa à Sinagoga de Roma foi um evento histórico, com o qual fiquei comovido - destacou.
O político italiano lembrou que Bento XVI e Di Segni falaram de temas "de forte atualidade, de integração, de meio ambiente e demonstraram como pertencer a religiões diferentes pode servir para reforçar os valores universais da pessoa".
- Agradeço à comunidade judaica por ter tido a coragem de organizar este encontro. Acredito que tenha sido um passo adiante, não só para Roma, mas para toda a humanidade, para construir um futuro de colaboração e paz - enfatizou Alemanno.
O encontro entre líderes das duas religiões ocorreu em meio a discórdias sobre a atuação do papa Pio XII (1939-1958) em relação ao Holocausto. Os judeus acusam o Pontífice de ter sido omisso diante do extermínio dos judeus.
A controvérsia se intensificou em dezembro, quando Bento XVI assinou um documento atestando as "virtudes heroicas" de Pio XII, passo importante em seu processo de beatificação.