Haiti: milhares de haitianos tentam deixar Porto Príncipe

Jornal do Brasil

PORTO PRÍNCIPE - O número de sobreviventes que tentava deixar a capital haitiana segunda-feira aumentou, embora o preço de bilhetes de ônibus tenha dobrado devido à escassez de combustível em Porto Príncipe. Dados mais recentes do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha, em inglês) apontam que o preço da gasolina aumentou até ao equivalente a US$ 10 por galão (3,8 litros). Segundo uma reportagem do Washington Post, os postos de gasolina têm combustível, mas os proprietários se recusam a disponibilizá-lo pela falta de segurança.

O número de pessoas que querem deixar Porto Príncipe cresce a cada dia disse ao Washington Post Michel Pierre Andre, motorista de ônibus que normalmente percorre o trajeto até Jeremie, a cerca de 225 km da capital. Eu faço a viagem até Jeremie e volto com o ônibus vazio. Ninguém quer vir para Porto Príncipe. Não há nada aqui. Não há comida para comprar, não há trabalho, não há nada.

Á medida que hospitais de campanha entram em funcionamento em Porto Príncipe organizações internacionais já ativaram 10 na capital os hospitais tradicionais, sobrecarregados, começam a enfrentar um novo problema: pacientes que haviam sido tratados e poderiam receber alta se recusam a sair dos hospitais.

Eles não têm para onde ir explicou Nicholas Reader, porta-voz dos esforços de ajuda humanitária da ONU. Suas casas foram destruídas, então eles preferem ficar hospedados nos hospitais, que estão literalmente transbordando de gente.

Segundo a Ocha, além dos hospitais de Porto Príncipe, os da região fronteiriça da República Dominicana também já estão saturados, e os feridos começaram a ser reenviados a hospitais de outras cidades.