Viva Rio tem várias vitórias no Haiti

Caio de Menezes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A ONG Viva Rio chegou ao Haiti em 2004, a convite da Organização das Nações Unidas (ONU), para participar da Missão de Paz. A ONG prestou uma consultoria para o programa Desarmamento Desmobilização e Reintegração (DDR), da ONU.

O arquiteto urbanista Sérgio Magalhães, hoje presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), foi para o Haiti assessorar a Viva Rio.

Fui para estudar uma intervenção urbanística na parte pacificada da cidade, no bairro de Bel Air. A intenção era fazer, através da recuperação urbana, um reforço na pacificação do clima na capital haitiana conta.

Segundo Sérgio, uma das principais melhorias obtidas no país da América Central na época foi na infraestrutura.

O estado da cidade era lastimável, o abastecimento de água, precário e o recolhimento de lixo não existia. As redes de encanamento também não. Realizamos projetos para recolhimento de água da chuva, instalando coletores nos prédio públicos, e houve melhora ressalta o arquiteto.

Entretanto, para Sérgio, a situação, antes do terremoto, ainda era crítica.

O abastecimento funciona por quiosques, alimentados por caminhões e aonde as pessoas vão recolher a água com seus recipientes. Quando cheguei, o consumo era de oito ou 10 litros por dia, e antes da tragédia, em algumas áreas, haitianos já tinham acesso a 15 ou 20 litros. Em alguns locais, até mais, com captação de água da chuva lembra.

Desde então, a ONG foi conhecendo o país e constatou semelhanças com o universo brasileiro, e com seus trabalhos realizados no Rio de Janeiro. Ao observá-las, iniciou o contato para estabelecer a paz entre as bases, nome dado a grupos criminosos haitianos. Foram firmados acordos de paz entre elas, estimulados através de premiações. A cada mês sem mortes, eram cedidas bolsas de estudo, para serem divididas entre crianças que residiam nas regiões controladas pelas facções. O projeto foi chamado de Tambores da Paz.

Esse trabalho foi um dos principais agentes, no sentido de acalmar e pacificar os conflitos entre as bases. Vínhamos num ritmo de trabalho muito bom, agindo junto desses grupos, do governo e do exército. Depois desse esforço, realizamos outros bons acordos. O país estava muito melhor afirma Tião Santos, um dos coordenadores do Viva Rio.

De acordo com Tião, alguns haitianos instruídos pelo Viva Rio estão trabalhando agora para ajudar vítimas do terremoto.

O pessoal formado em um projeto de criação de uma brigada de combate a incêndios e emergências já está trabalhando para minorar a tragédia. Esse também é um dos resultados que conseguimos naquele país conta.

Custos

A organização é mantida no Haiti através de parceria com a Força de Paz da ONU, o governo norueguês e a Open Society Institute, ONG britânica. Além desses organismos, há voluntários, e parcerias institucionais.

Projetos no país devastado

Desarmamento:

Em 2004, a convite da ONU, o Viva Rio deu a primeira consultoria ao programa de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) das Nações Unidas no Haiti.

Censo de Bel Air:

Em 2007, foi realizado o Censo Demográfico Bel Air, a maior operação estatística já feita na área, abrangendo mais de 10 mil famílias. O censo abordou os seguintes temas: demografia (gênero, idade, posição familiar, educação, saúde, trabalho, renda), migração, vitimização, saneamento e condições de habitação.

Treinamento de paz:

Em 2007, o Viva Rio elaborou um manual e um vídeo de treinamento para as tropas que atuam na missão de paz no Haiti.

Haiti Aqui:

Com o objetivo de promover a troca de informações e conhecimentos acerca do Haiti, em 2007 o Viva Rio criou o blog Haiti Aqui. Sediado no portal Comunidade Segura, o Haiti Aqui reúne notícias, matérias, artigos, entrevistas e testemunhos sobre o país.

Precioso líquido:

O projeto Água, Mulheres e Saúde, implementado em 2007, visou a melhorar a saúde e o bem estar dos moradores de Bel Air, além de garantir à população o acesso à água, assim como promover uma cultura de economia da mesma.

Assinatura de acordos de paz:

Como parte das ações do projeto Honra e Respeito por Bel Air, o Viva Rio conduziu o processo de assinatura de dois acordos de paz entre líderes de grupos violentos locais que apresentavam histórico de conflitos e rivalidade aguçado entre dezembro de 2006 e abril de 2007.

Lixo e Reciclagem:

Em 2008, também foi implementado o projeto Lixo e Reciclagem, a fim de evitar desperdícios e diminuir o impacto da produção de lixo no meio ambiente, outro grande problema no Haiti.

Rap e luta contra a Aids:

O Viva Rio realizou o Rap Pou Komprann SIDA, um concurso de rap em torno do tema da Aids, com o objetivo de promover jovens talentos da região de Bel Air e em seu entorno, envolvendo-os, através da música, na luta contra a doença.

Gingando pela Paz:

Em setembro de 2008, o Viva Rio implementou no Haiti o projeto Gingando pela Paz, que busca promover a cultura de paz entre jovens, com o objetivo de impedir seu envolvimento com a violência. Assim como no Brasil, onde o projeto é desenvolvido desde 2003, o Gingando pela Paz vem conquistando resultados no Haiti.

Bel Air Verde:

Lançada pelo Viva Rio no dia 1º de maio de 2009, a campanha Bel Air Verde iniciou um movimento pela redefinição do status de Bel Air como um bairro verde . Considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) até recentemente uma área vermelha devido ao alto grau de violência, pesquisa recente mostra que o bairro teve uma queda significativa da taxa de homicídios nos últimos três anos. Além de um abaixo assinado, a campanha engloba uma ação ecológica que prevê o plantio de 3 mil árvores em um mês. Nós queremos trabalho e respeito, o verde da natureza e o verde da paz! , dizem os moradores de Bel Air, no manifesto