Obama assume culpa por falhas e revela novas medidas de segurança

Jornal do Brasil

WASHINGTON - Em seu segundo discurso dedicado à segurança interna em três dias, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou uma série de medidas concretas em áreas dos serviços de inteligência para melhorar a agilidade das agências de segurança e impedir que ocorram incidentes como o do Natal, quando o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab por pouco não explodiu um avião com destino a Detroit. A Casa Branca também divulgou um relatório durante o discurso do presidente sobre lapsos de segurança que facilitaram a tentativa de atentado.

Para evitar que isso aconteça de novo, garantiu Obama, as agências de defesa passarão a investigar as informações obtidas pelas agências americanas a fundo, distribuirão os relatórios de inteligência de forma mais rápida e direta, melhorarão o processamento e a integração de informações coletadas e fortalecerão o critério para inclusão de pessoas nas listas de observação de possíveis terroristas.

Estamos em guerra disse Obama. Na corrida interminável para proteger o nosso país, temos de permanecer um passo à frente de um adversário ágil. Isso é o que estas medidas se destinam a fazer.

O presidente também assumiu a culpa pelas falhas na segurança mas reiterou que agências responsáveis dispunham de informações suficientes para impedir Abdulmutallab de embarcar num voo comercial.

Estou menos interessado em repassar a culpa do que em aprender com ela e corrigir esses erros para que nós fiquemos mais seguros. Porque no fim, a responsabilidade é minha disse Obama.

Entre as novidades anunciadas, Obama prometeu usar mais scanners corporais e outras soluções tecnológicas nos aeroportos.

Expandiremos o uso de sistemas de detecção, inclusive da tecnologia com imagens anunciou.

Na sequência do discurso do presidente, a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, o secretário de Defesa, Robert Gates, e o principal assessor de contraterrorismo do presidente, John Brennan, responderam perguntas em coletiva de imprensa conjunta. Napolitano revelou que viajará à Espanha neste mês para se encontrar com seus homólogos internacionais e tentar buscar medidas mais eficientes para a aviação mundial.

Brennan garantiu que os EUA estão mais seguros hoje do que no 11 de Setembro, quando as agências de segurança tinham receio de compartilhar informações. Ele disse também que a descoberta mais significativa do relatório que redigiu sobre as falhas na segurança foi a verdadeira força da Al Qaeda na Península Arábica, que ele definiu como um dos braços mais letais da organização terrorista.

Iêmen

Rashad al-Alimi, vice-ministro de Segurança Interna e Defesa do governo iemenita informou ontem que Umar Farouk Abdulmutallab adquiriu o explosivo usado no atentado na Nigéria onde trocou de avião no aeroporto de Lagos, na véspera do atentado e não no Iêmen, como se pensava anteriormente.

Além disso, Alimi afirmou que de acordo com investigações locais, durante sua estadia no Iêmen, o nigeriano se encontrou com Anwar al-Awlaki, um clérigo radical também ligado a um atirador que causou um massacre na base militar norte-americana no Texas. Awlaki teria morrido posteriormente num ataque aéreo sobre militantes da Al Qaeda no mês passado.

Na quarta-feira, Abdulmutallab foi acusado de seis crimes, incluindo tentativa de assassinato e utilizar uma arma de destruição em massa para assassinar quase 300 pessoas. Se for considerado culpado, o jovem pode ser sentenciado à prisão perpétua. Abdulmutallab comparecerá pela primeira vez hoje perante um tribunal federal americano em Detroit.