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Vice boliviano responde a críticas de presidente do Peru

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Agência ANSA

LA PAZ - O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, repudiou as declarações do presidente do Peru, Alan García, que na segunda-feira classificou as políticas do mandatário da Bolívia, Evo Morales, como "angustiadas".

- Se alguém tem que estar angustiado creio que será a pessoa que falou de angústias, porque seu tempo está acabando e há um povo que pouco a pouco se conscientiza e rechaça essas políticas de privatização - declarou García Linera dirigindo-se diretamente a Alan García.

Na segunda-feira, em um encontro com prefeitos de comunidades andinas, o chefe de Governo peruano não fez nenhuma citação ao governo boliviano, contudo sua declaração pareceu óbvia ao vice de Morales. - Olhem ao vizinho do sul dos Andes, que tem todo seu gás guardado porque este vai acabar, e então está na pobreza - disse na ocasião.

- Não faz nada com o gás, porque vai acabar. Essa é a lógica, um pouco angustiada, mas esta angústia é dele, não do país - completou García.

- Se alguém tem angústia é o nobre, querido e irmão povo peruano, que está entregando suas riquezas naturais a poderes estrangeiros. Para nós, isso é um retrocesso, pertence ao século passado - retrucou García Linera ao comentar o assunto.

- Quero dizer a ele de forma muito direta que aqui na Bolívia o que temos é tranquilidade, serenidade e profunda alegria pela recuperação de nossos recursos naturais - continuou o vice-presidente, reiterando suas críticas às políticas da nação vizinha, "que levam ao enriquecimento de investidores estrangeiros e ao empobrecimento dos países".

García Linera apontou ainda as conquistas econômicas do governo Morales, motivos de orgulho para o povo boliviano. - Uma economia soberana que não se submete a poderes externos - completou.

As divergências entre Morales e García têm causado algumas rusgas diplomáticas. Entre os pontos conflitantes estão a concessão de refúgio dada pelo governo peruano a três ex-ministros bolivianos, considerados criminosos pela Justiça boliviana, e a aproximação de Bolívia e Chile, que poderia atrapalhar uma demanda de Lima contra Santiago.