ASSINE
search button

EUA sabiam de ameaça de nigeriano

Compartilhar

Jornal do Brasil

WASHINGTON - Um dia após o presidente Barack Obama ter reconhecido que uma falha sistemática na segurança interna dos EUA teria contribuído para o atentado frustrado contra um avião da Northwest Airlines no dia de Natal, a imprensa americana divulgou quarta-feira que as autoridades de inteligência do país sabiam, há semanas, que um nigeriano estava sendo preparado pela Al Qaeda no Iêmen para realizar um ataque contra civis.

A partir dessas informações, os serviços de inteligência americanos poderiam ter deduzido que o nigeriano Omar Farouk Abdulmutallab, acusado de tentar explodir o avião da Northwest, representava uma ameaça, se tivessem examinado com atenção os alertas sobre sua postura radical e seu desaparecimento, sugeriram o New York Times e ABC News, que deram a notícia.

Além disso, segundo o jornal britânico Times, embora a organização Al Qaeda tenha reivindicado, no Iêmen, o planejamento do ataque e o recrutamento de Abdulmutallab para consumá-lo, fontes de segurança acreditam que o nigeriano foi preparado pela Al Qaeda quando estudava na University College London, na Grã-Bretanha. Autoridades inglesas dizem ter fartas evidências de que extremistas têm se infiltrado em círculos políticos e religiosos de estudantes para identificar e recrutar possíveis colaboradores.

Quando estudava na capital inglesa, Abdulmutallab era presidente da Sociedade Islâmica da universidade, onde organizou uma conferência intitulada a semana da guerra ao terror, que reuniu diversos oradores para falar sobre temas como as torturas a presos em Guantánamo e criticar a forma como os EUA combatem o extremismo no Oriente Médio. Este período corresponderia à época em que Abdulmutallab teria ingressado no radicalismo islâmico.

Nos últimos três anos, Abdulmutallab é o quarto presidente de uma associação islâmica de estudantes em Londres que enfrenta acusações de terrorismo. O nigeriano deixou a College London no ano passado e, este ano, teve o visto negado pelo governo britânico, depois de tentar se matricular em um curso inexistente.

Iêmen

Segundo autoridades iemenitas, forças de segurança do Iêmen entraram em confronto quarta-feira com militantes da Al Qaeda na província de Hudaydah, deixando vários feridos. Analistas temem que o Iêmen entre em colapso devido a uma rebelião xiita no norte do país e aos ataques da Al Qaeda.

Juntamente com as forças de segurança locais, os Estados Unidos também iniciaram a busca de alvos no Iêmen para uma possível represália pelo incidente do dia de Natal. Segundo fontes citadas pela rede de televisão CNN, o Iêmen teria permitido que os EUA utilizassem mísseis cruzeiro, caças ou aviões não tripulados contra alvos em seu território.

As mesmas fontes acrescentaram, sob condição de anonimato, que o propósito da busca é determinar se há alvos especificamente vinculados ao incidente do avião da Northwest e seu planejamento no país. Até agora, as autoridades americanas só acusaram Abdulmutallab pela tentativa de atentado.

Para reforçar a segurança em voos com destino aos EUA, a ministra do Interior da Holanda, Guusje Ter Horst, disse que dentro de três semanas serão introduzidos no aeroporto de Amsterdã aparelhos de scanner que fazem a leitura do corpo inteiro dos passageiros.